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Diabetes & Estresse

Como lidar com o estresse na profissão?

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Três profissionais. Três histórias diferentes, mas com algo muito comum: o estresse. Em algumas ocasiões, as pessoas com diabetes procuram justificar a falta de controle no tratamento pelos problemas enfrentados no dia-a-dia e pelo estresse. Porém, é preciso lembrar que as dificuldades estão presentes na vida de qualquer um, sendo ou não diabético. A maneira de encarar essas dificuldades é o que vai fazer toda a diferença.

Coberturas de greves, assaltos, sequestros, chacinas e catástrofes sempre foram comuns no dia-a-dia da jornalista Débora Aragão, que já trabalhou na chefia de reportagem da TV Bandeirantes, em São Paulo. A notícia tem de chegar com agilidade e a credibilidade é imprescindível. A rapidez com que tudo acontece torna o ambiente de trabalho altamente estressante, e o jornalista deve saber lidar muito bem com suas próprias emoções para não se deixar abalar. Até hoje, com uma rotina de trabalho bastante puxada, essa profissional nos conta que no período que trabalhou na TV Bandeirantes, acordava todos os dias às cinco horas da manhã, pois às seis tinha que estar à sua mesa na redação coordenando as equipes do turno que iniciavam nesse horário. “Trabalhei na chefia de reportagem com jornalismo policial, político e de cotidiano. A rotina era bem desgastante porque tinha que monitorar e auxiliar as equipes de reportagem e não deixar passar nenhuma informação relevante. Tinha que avaliar o grau de importância dos acontecimentos e decidir se eles iriam entrar nos telejornais”, conta Débora.

A adrenalina é grande. O dead-line (tempo-limite para o fechamento da matéria) fica martelando na cabeça de todos os envolvidos, lembrando que cada minuto que passa é um a menos no tempo que eles têm para finalizar uma história antes de o jornal entrar no ar.

1 – O lado emocional da notícia

As catástrofes são o que mais abalam uma redação de telejornal e, embora o jornalista deva ser imparcial, é um ser humano dotado de emoções e sensações muitas vezes incontroláveis. “Naquele  acidente aéreo da TAM, por exemplo, tive que lidar com diferentes situações, todas muito delicadas. Conseguir histórias, familiares das vítimas, avaliar material de vídeo e ver imagens que sinceramente mexem muito com nosso lado pessoal. O jornalismo trabalha diretamente com sentimentos intensos e não existe a possibilidade de não se envolver”, afirma Débora.

Nesse turbilhão de acontecimentos essa jornalista não pode esquecer de controlar o diabetes. A automonitorização e a aplicação de insulina devem fazer parte da “pauta do dia”. Ela verifica a glicemia quando acorda, antes do almoço e antes de dormir. Mas afirma que não é difícil aumentar esse número, porque às vezes tem hipoglicemia em outros horários. “Tomo uma dose fixa de insulina à noite. Antes das refeições uso outra insulina, cujas doses variam de acordo com a quantidade de refeição que vou ingerir e com o número de vezes que vou me alimentar num único dia.”

Nos momentos de maior euforia, Débora procura manter a calma e se apoiar em situações agradáveis fora do ambiente de trabalho. “Vivo a correria naquele momento, depois esqueço, exercito muito técnicas de relaxamento e meditação”, diz. Para esquecer a rotina estressante de todos os dias, Débora gosta muito de assistir a filmes, ir ao teatro e se concentrar em coisas boas e agradáveis, como pintar e escrever poesias.

2 – Cuidando de pessoas 

Enfermeira por titulação, Leticia Rosa de Oliveira Fabri, já obteve muita experiência em cuidar de pessoas por meio de diversos trabalhos pelos quais passou desde sua formação. “Atuar como enfermeira é muito gratificante. Dos diversos campos em que já trabalhei, o ambiente hospitalar e as Unidades Básicas de Saúde são os mais estressantes, com todas as suas rotinas e técnicas.”

Atualmente, Leticia é educadora em diabetes e trabalha na Liga de Diabetes do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Acredita estar unindo o útil ao agradável, pois além de ser um assunto que lhe interessa, em todos os aspectos, tem a possibilidade de trocar experiências com os pacientes, adquirindo cada vez mais conhecimento. “Mesmo passando por muitas situações desgastantes, como realizar técnicas de curativos ou passagem de sonda vesical (a introdução de uma sonda ou cateter na bexiga, com finalidade a remoção da urina, frequentemente indicada para esvaziar a bexiga em pacientes com retenção urinária, em preparo cirúrgico e em pacientes inconscientes), ser enfermeira é gratificante demais. Poder ajudar o outro, cuidar, tratar ou mesmo dar-lhe atenção e ser reconhecida por isso me faz muito realizada”, relata.

Letícia mantém hoje seu diabetes muito bem controlado. Tem uma rotina bem definida. Na parte da manhã vai dar aulas de Enfermagem e à tarde orienta seus pacientes em relação às insulinas, picos de ação, rodízio a ser realizado pelo paciente, dieta e cuidados gerais. Traça um perfil com insulinas realizadas pelo paciente desde a última consulta, além de realizar a anamnese (questionamentos sobre a doença) para ver como o paciente tem passado. “Estou sempre disposta para que os pacientes possam tirar suas dúvidas ou questionar algo sobre minha experiência como diabética. E isso é sempre muito bom, pois eles me têm como exemplo, o que me deixa muito feliz.”

A enfermeira considera sua profissão estressante, principalmente porque é inevitável a ocorrência de situações imprevistas no dia-a-dia.  Além disso, considera que a atmosfera hospitalar é estressante por si só. Imprevistos como emergências hospitalares, pacientes entrando em estado grave, organização de pessoal para escala de trabalho, providenciar material que falta inesperadamente, ter muitas vezes de lidar com médicos também muito atarefados e não levantar a voz ou perder o equilíbrio, contendo o nervosismo, para não faltar com respeito aos outros membros da equipe e principalmente aos pacientes, são situações que sobrecarregam emocionalmente o profissional de enfermagem. “Ser enfermeira é extremamente estressante e você precisa ter força de vontade e deixar seus problemas pessoais fora do trabalho, se não acaba enlouquecendo.”

“Uma situação que me deixou extremamente irritada foi quando em um de meus estágios no Hospital das Clínicas, ainda sem muita experiência no atendimento hospitalar e técnicas a serem realizadas para o preenchimento de prontuários, fui sobrecarregada pela professora na realização de tarefas que não cabiam a mim e sim aos técnicos e auxiliares de enfermagem. Acabei atrasando meus procedimentos pela pressão exercida por ela, adiei minha alimentação e ainda tive que ficar depois do horário normal para terminar meus serviços”, lembra.

Leticia define-se como uma pessoa bastante ansiosa e nervosa. Conta que nos momentos mais difíceis geralmente releva, respira fundo e faz o que deve fazer. “Se achar que é o caso, discuto sobre determinada situação. Mas depois não aguento, acabo chorando, ou me exaltando. Sei que o certo mesmo seria contar até 10 e descartar. Mas nem sempre é possível.”

Para aliviar a tensão, Leticia pratica atividades físicas de três a quatro vezes por semana. Além disso, gosta muito de sair à noite para shows. “Almoço ou janto fora com frequência com amigos, uso muito a internet, que me relaxam bastante”, salienta.

Leticia conta que sempre foi bem controlada em relação ao diabetes. Seguia a dieta, realizava de três a quatro aplicações de insulina por dia e praticava atividade física. Mesmo com o tratamento convencional, não se privava de comer algum doce ou cometer outro “excesso” de vez em quando. Tinha esse privilégio. Porém, como passava o dia todo fora de casa, achava incômodo levar as duas canetas de insulina para todos os lugares, alimentar-se nas horas certas e nos fins de semana ter de acordar cedo para a aplicação da insulina. “Com o SIC (Sistema de Infusão de Insulina) de insulina, meus horários ficaram muito mais flexíveis e minha vida, bem mais fácil. Posso acordar a hora que quiser, pois dificilmente minha glicemia está alterada, posso também dormir no horário que achar adequado”, revela.

Outra liberdade oferecida pelo SIC de insulina é a possibilidade de praticar atividades físicas sem receio de ter uma hipoglicemia. “O SIC de insulina é muito mais cômodo para mim quando, pois não tenho mais que parar minha atividade para aplicar insulina ou comer. Agora não passo mais vontade em relação à alimentação, pois com a contagem de carboidratos permito-me comer qualquer alimento. Lógico, sem exageros, porque mesmo uma pessoa não-diabética não deve comer além do necessário. Meu controle melhorou significantemente após a colocação do SIC de insulina e minha qualidade de vida também”, conclui Leticia.

3 – O diabetes na Justiça

A rotina da advogada Kátia David Carbone, resume-se em prazos, audiências, ações, defesas, reuniões, captação de clientes, tudo num único dia. Depois de consultar sua agenda de trabalho, Kátia inicia a manhã verificando as prioridades do dia. A partir daí elabora as contestações, recursos, procurações, declarações, ações iniciais e contratos. O período da tarde, reserva para ir até os foros regionais ou de outras comarcas. Muitas vezes, além dessas obrigações agregam-se audiências designadas e reuniões de última hora solicitadas pelos clientes. Os prazos são o que mais preocupam a advogada.  “Outro dia um cliente chegou às 16 horas ao meu escritório, com muita tranquilidade, pois havia recebido um aviso do cartório no dia anterior para protestar um cheque sustado havia dois meses. Verifiquei que o prazo era naquele dia, com horário limite até às 19 horas. Enquanto ele foi providenciar os documentos, fiz a sustação de protesto, marquei de encontrá-lo no fórum às 18h30, distribuí a ação, despachei com o juiz e consegui solucionar o caso faltando três minutos para o término do prazo. Foi muito estressante!”, lembra.

Outra situação de tensão vivida pela advogada foi mais angustiante ainda: tinha duas audiências trabalhistas no mesmo dia, sendo uma às 11h40 e a outra às 13h30. A primeira audiência atrasou quase duas horas, e quando acabou, a segunda já havia se iniciado. “Corri pelas rampas do Fórum Trabalhista, e quando entrei na sala já eram 13h45. Por sorte a juíza acolheu minha justificativa, e ainda me concedeu cinco minutos para que pudesse me tranquilizar, recebendo até um copo d´água da magistrada”, ressalta.

Kátia considera seu trabalho estafante principalmente pela grande responsabilidade que o advogado tem, ele deve resolver os problemas de quem o contrata da melhor maneira a fim de atender todas as expectativas e interesses. “Nós advogados temos que antever as alegações da parte contrária e a possibilidade do resultado jurídico da questão, sendo que todos os casos são especiais e devem ter a atenção necessária para atender a sua particularidade, sob pena de comprometer o resultado almejado”, conta.

Aprendendo com o diabetes

Diabética do tipo 1 desde os quatro anos de idade, Kátia conta que o controle foi muito difícil porque naquela época inexistiam produtos dietéticos com tanta diversidade e qualidade como hoje. Após uma longa adolescência rebelde e tumultuada devido às desregradas idas a barzinhos e discotecas, Katia decidiu, aos 24 anos, colocar sua saúde em primeiro lugar. Estava namorando e desejava casar-se e ter filhos. Iniciou, portanto, a prática de esportes e os exames clínicos anuais, além de fazer o controle glicêmico cerca de sete vezes por dia, restringir carboidratos e iniciar o uso do SIC de insulina.

Já casada, Kátia sofreu dois abortos espontâneos; dois momentos de profunda tristeza na vida da advogada, ocasionados, segundo o seu obstetra, por hipoglicemia. Essa alteração emocional acabou acarretando em algumas complicações, como problemas na visão e nos rins. Entretanto, fez com que ela descobrisse o quanto suas reações emocionais afetavam seus níveis glicêmicos e pudesse aprender a controlá-las com mais eficiência. Hoje, quando fica nervosa, especialmente quando há acúmulo de trabalho, como alguma defesa ou ação a ser proposta de última hora, a ansiedade aflora e fatalmente sua glicemia atinge 330mg/dl. “Imediatamente tomo um bolus corretivo de insulina, respiro, bebo um copo de água e, se possível, tomo um café. Além disso, para aliviar os momentos de estresse, pratico ioga, caminhadas, técnicas de respiração e ouço música relativa a sons da natureza”, diz.

 

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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