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Saúde da Mulher – Fitoterapia

Infecções no Aparelho Genital Feminino

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Aroeira: promissora opção terapêutica para as leucorréias

Pela Dra. Lucia de Fatima Cahino da Costa Hime, Médica Especialista pela Sociedade Brasileira de Patologia Cervical Uterina e Colposcopia.

As leucorréias são queixas bastante comuns, correspondendo a 1/3 das consultas na especialidade. A etiologia é bastante variada, sobressaindo-se os agentes de natureza infecciosa. (4) Conceitua-se como leucorréia a presença de secreção anormal, seja em quantidade ou no aspecto físico, expelida através dos órgãos genitais externos. Dentro deste conceito, amplo e subjetivo, a leucorréia pode ser sintoma referido pela paciente ou apenas identificado pelo ginecologista. (4)

A infecção pode se originar do crescimento da flora normal da vagina (oportunista), assim como da colonização de novos microrganismos introduzidos por meio do contato sexual e agravada pela promiscuidade.(4)

A importância da infecção genital baixa reside na sua elevada freqüência e na comprovação de que muitos dos microrganismos envolvidos em sua gênese são, igualmente, responsáveis pelo desenvolvimento da moléstia inflamatória pélvica.(4)

Os principais agentes encontrados são leveduras, tricomonas, gonococos, papiloma vírus, clamídia, gardnerela e bacilos difteróides; sendo que o quadro clínico e a característica do corrimento variam conforme cada um deles.(3)

A terapêutica da leucorréia consiste em combater o processo inflamatório localizado na cérvice ou nas paredes vaginais, de acordo com o agente etiológico envolvido. Dentre as medicações usadas no tratamento convencional, destacam-se o metronidazol e a nistatina.(3)

Atualmente uma nova opção terapêutica vem sendo testada. Trata-se de formulações geleificadas e emulsionadas à base de aroeira da praia (Schinus terebinthifolius raddi) e aroeira do sertão (Myracrodruon urundeuva).

A aroeira (Schinus terebinthifolius raddi), pertencente à família Anacardiaceae, é encontrada na Mata Atlântica do Nordeste do Brasil. Trata-se de uma planta medicinal de uso amplamente difundido no tratamento de diversas infecções, lesões benignas do colo do útero, cervicites, vaginites e cervicovaginites.(2)

Múltiplos mecanismos de ação têm sido descritos para o Schinus, demonstrando-se atividade antiinflamatória não-esteróide, além de importante potencial cicatrizante. A ação antiinflamatória dá-se pela inibição competitiva específica da fosfolipase A2 por dois de seus componentes, o schinol e o ácido masticadienóico contidos em sua casca. Da mesma forma, os biflavonóides, que são dímeros precursores dos taninos, componentes do Schinus, também apresentam ação antiinflamatória.(1)

Diversas substâncias presentes no extrato do Schinus apresentam atividade antimicrobiana, como a terenbithona, o ácido hidroximasticadienóico, o ácido terenbitifólico e o ácido ursólico. Foi demonstrada, in vitro, atividade contra Klebsiella pneumoniae, Alcaligenes faecalis, Pseudomonas aeruginosa, Leuconostoc cremoris, Enterobacter aerogenis, Proteus vulgaris, Clostridium sporogenes, Acinetobacter calcoacetica, Eschericia coli, Beneckea natriegen, Citrobacter freundii, Serratia marcencens, Bacillus subtiles, Staphilococus aureus e várias espécies de fungos (Aspergillus) .(1)

Apesar de a literatura não relatar um efeito direto da aroeira diante dos microrganismos contaminantes da vagina, a melhora de alguns aspectos, como inflamação, redução da dor, do odor, do prurido, bem como a diminuição da patogenicidade da flora, evidencia um possível efeito indireto diante da carga bacteriana inicial.(2)

Em 2000, foi realizado um estudo preliminar no Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), em que o gel de aroeira foi utilizado por mulheres com diversos tipos de vulvovaginites e cervicites, incluindo 30 pacientes com vaginose bacteriana. Observou-se percentual de cura de 80% nestas últimas, porém como o estudo não foi controlado, uma das conclusões foi que seria importante realizar ensaio clínico randomizado.(1)

No ano de 2003, um ensaio clínico randomizado que avaliava o tratamento da vaginose bacteriana com gel vaginal de aroeira, constatou uma taxa de cura de 84% em pacientes sintomáticas tratadas, evidenciando-se diferença estatisticamente significativa em relação ao percentual de cura encontrado entre pacientes que receberam placebo (47,8%). Não houve efeitos colaterais importantes e os achados colpocitológicos evidenciaram uma maior freqüência de bacilos de Doderlein no grupo tratado com aroeira. Os resultados encontrados sugerem que o gel de aroeira pode constituir uma alternativa terapêutica segura e eficaz para os casos de vaginose bacteriana.(1)

Uma avaliação clínica preliminar de diferentes formulações de uso vaginal à base de aroeira, realizada em 2004, recrutou 125 pacientes que foram subdivididas em diversos grupos, comparando as diferentes respostas clínicas conforme a formulação utilizada (decocto, gel, emulsão de aroeira da praia e do sertão), com a terapêutica convencional. Este estudo demonstrou uma diferença estatisticamente insignificante entre os grupos testados, já que possivelmente todas as formulações levariam a efeitos terapêuticos semelhantes, e sugeriu que a aroeira pode ser uma grande possibilidade de tratamento, equivalente ao tratamento convencional, apesar da pequena amostragem avaliada.(2)

Referências bibliográficas:

  1. Amorim M. M. R.; Santos L.C. Tratamento da vaginose bacteriana com gel vaginal de aroeira (Schinus terebinthifolius raddi): Ensaio clínico randomizado. RBGO, v. 25, nº 2, 2003.
  2. Silva L. B. L.; Albuquerque E. M.; Araújo E. L.; Santana D. P. Avaliação clínica preliminar de diferentes formulações de uso vaginal à base de aroeira (Schinus terebinthifolius raddi). Revista Brasileira Médica, v. 61; nº 6, junho/2004.
  3. Bastos A. C. Ginecologia. Atheneu, 10ª ed., pp. 163-169, 1998.
  4. Prado, F. Cintra do; Ramos, Jairo; Valle, José Ribeiro do; Borges, Durval Rosa; Rothschild, Hanna A. Atualização terapêutica. São Paulo, Editora Artes Médicas, 21ª ed., pp. 585-588, 2003.

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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