Saúde

Alergias respiratórias

Alergias respiratórias devem ter acompanhamento contínuo

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Principais alérgenos

Assim como pacientes hipertensos ou diabéticos, aqueles que sofrem das alergias respiratórias principais, como a rinite alérgica e a asma, devem ser acompanhados continuamente por um especialista. Enquanto nos Estados Unidos e em certas regiões da Europa onde os principais alérgenos inaláveis são os pólens de arbustos, gramíneas e árvores, no Brasil predomina a sensibilização a alérgenos intradomiciliares, como ácaros de poeira e pêlos de animais. Naquela situação as manifestações são sazonais, entre nós as manifestações são contínuas, variando de intensidade ao longo do ano.

No Hemisfério Norte, sendo os pólens os principais agentes causadores de rinites, a chamada hay fever, rinoconjuntivite sazonal, os sintomas surgem e desaparecem obedecendo a época das florações. No ambiente brasileiro, onde a rinite alérgica apresenta elevada prevalência, é mais comum a manifestação persistente da doença, em decorrência da predominância de sensibilização aos componentes da poeira doméstica. Nesse caso, infecções virais, variações climáticas e exposição a substâncias irritantes, por exemplo, podem atuar como fatores agravantes da condição clínica.

O acompanhamento contínuo permite que o paciente seja tratado corretamente, com o ajuste da dose de medicação, de acordo com a necessidade clínica. Nesse sentido, o médico alergista deve manter contato freqüente com o paciente, orientando-o no tratamento das manifestações e na prevenção de crises alérgicas.

Reações alérgicas agudas, como a urticária, muitas vezes resolvem em poucos dias, não requerendo tratamento ou acompanhamento prolongado. Por outro lado, manifestações alérgicas contínuas como rinite e asma, necessitam de acompanhamento periódico. “Uma reação alérgica aguda é tratada em poucos dias, mas os quadros de longa evolução devem ser bem acompanhados”, defende Dr. Luiz Antonio Guerra Bernd, professor de Imunologia da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre e chefe do Serviço de Alergia e Imunologia Clínica da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e do Hospital da Criança Santo Antônio.

Hoje, cerca de 30% da população brasileira apresenta quadro de alergia respiratória que demanda atenção. De acordo com Dr. Bernd, a rinite alérgica é a mais comum destas manifestações no Brasil. “Muitos pacientes acreditam que têm resfriado persistente, mas isso não reflete a realidade, porque o resfriado comum é de curta duração e é uma infecção viral. Eles não percebem que têm uma rinite, possivelmente causada por alergia”, aponta.

Além da sensibilidade aos alérgenos comuns no restante do País, muitos moradores da Região Sul também sofrem com a ação dos pólens da vegetação. “A acentuada presença de polinose no Sul do Brasil possivelmente seja causada pelas características do clima da região”, afirma o especialista.

Para diagnosticar corretamente a presença de sensibilização alérgica é fundamental conhecer hábitos de vida do paciente. Segundo o Dr. Bernd, as manifestações alérgicas podem apresentar-se de três formas: aguda, recorrente ou contínua. O principal mecanismo desencadeador das doenças alérgicas é a produção de anticorpos IgE específicos para um alérgeneo. Os meios de detecção mais comuns da presença destes anticorpos são os testes cutâneos com alérgenos e a pesquisa de anticorpos em circulação no sangue. Os testes de provocação não são recomendados para a prática diária, devendo somente ser aplicados em ambientes de pesquisa, na opinião do Dr. Bernd, devido ao risco de expor o paciente a uma crise alérgica aguda.

“Os métodos tradicionais conseguem diagnosticar as manifestações alérgicas originadas por alérgenos inaláveis, alimentos e insetos. As reações medicamentosas são de mais difícil avaliação uma vez que o mecanismo não envolve a formação de anticorpos, mas a ativação celular”, comenta o médico. “No caso das reações anafiláticas é importante estabelecer o diagnóstico do agente causal para evitar o contato e orientar o tratamento de eventuais novas manifestações.”

O Dr. Bernd também relata que muitas pessoas atribuem certas reações alérgicas a alimentos, como o tomate. “Reações alérgicas a alimentos são raras em indivíduos adultos. Na criança, essas manifestações são mais freqüentes”.

Outro ponto levantado pelo Dr. Bernd é a necessidade de informar adequadamente o paciente alérgico, evitando que abandone o tratamento. “Quando um médico diz para o paciente que alergia não tem cura, é possível que ele pense que doença alérgica não tem tratamento, e isso não é verdade. As doenças alérgicas podem ser muito bem controladas.”

Novidades e tratamentos tradicionais

Segundo o Dr. Bernd, os principais centros de formação mundiais promovem diversas pesquisas sobre alergias respiratórias continuamente. A Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia está conduzindo um levantamento nacional sobre os principais agentes causais de reações alérgicas graves no País.

Existem numerosos novos medicamentos em pesquisa clínica, principalmente destinados a modular a resposta imune do alérgico, inibindo os mecanismos inflamatórios e estimulando a secreção de substâncias antiinflamatórias.

Outra novidade no tratamento das alergias respiratórias é a droga anti-IgE, que atua combatendo os anticorpos causadores da alergia. A droga é de aplicação subcutânea, a cada 15 ou 30 dias. “No momento, a indicação desse tratamento é exclusiva para pacientes portadores de asma grave”, relata.

De acordo com o Dr. Bernd, o tratamento habitual para combater a asma comum prevê a utilização combinada de corticosteróides inalados associados a broncodilatadores de ação rápida ou de longa duração. Antileucotrienos também podem ser usados. “No caso das rinites alérgicas, a conduta terapêutica mais indicada é a utilização combinada de anti-histamínicos orais e corticosteróides tópicos nasais”, diz o especialista.

Segundo ele, todo paciente com alergia respiratória deve adotar medidas de controle da exposição a alérgenos no ambiente. A imunoterapia com alérgenos tem indicação para diminuir o grau de sensibilização alérgica. “Atualmente são disponíveis medicamentos eficazes e seguros para o tratamento de manifestações agudas e prevenção de doenças alérgicas”, diz.

 

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Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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