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Resistência bacteriana é preocupação crescente no manejo da pneumonia

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Inverno rigoroso, índices de pneumonia aumentam nos hospitais

Apesar de não existirem dados precisos de incidência e prevalência da pneumonia na população brasileira, os especialistas sabem que nos últimos 12 meses a doença foi causa de 735 mil internações no País, sendo que só no Estado de São Paulo ocorreram 265 mil internações, segundo os dados coletados pelo Ministério da Saúde, através do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS).

De acordo com o Dr. Luiz Vicente Ferreira da Silva Filho, médico da Unidade de Pneumologia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) e do Laboratório de Virologia do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, a taxa de mortalidade por pneumonia no Brasil ainda é bastante preocupante. “Segundo o Ministério da Saúde, o ano passado, ocorreram cerca de 37 mil óbitos por pneumonia. Certamente esta enfermidade é uma causa importante de prejuízo social e econômico, já que constitui, junto com as
infecções respiratórias agudas, um dos principais motivos de consulta a
serviços de saúde e de admissão hospitalar. Anualmente a pneumonia é responsável por
cerca de 100 mil mortes em crianças abaixo de um ano de idade, e 99% destas mortes ocorrem em países em desenvolvimento”, comenta. 

Durante o envelhecimento do corpo humano, ocorrem alterações fisiológicas aumentando o risco de pneumonias e outras doenças respiratórias, pois com o avançar da idade o sistema imunológico também envelhece e enfraquece o combate. Com isso, esse trabalho tem por objetivo averiguar o número de óbitos em idosos por pneumonia no Brasil entre os anos de 2012 a 2016. Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo, de abordagem quantitativa, realizado no mês de agosto do corrente ano, através do Sistema de Informações Hospitalares (SIH-SUS). Com a obtenção dos dados, notou-se que o número de internações por pneumonia ultrapassou um milhão em todo o país durante os anos estudados, bem como o número de óbitos chegou a 200 mil.

Ainda em relação às crianças, o Dr. Silva Filho informa que na Europa e na América do Norte a incidência anual de pneumonia em crianças menores de cinco anos é de 30 a 40 casos por mil. “No Brasil não dispomos de uma taxa de incidência calculada, mas no último ano a enfermidade resultou em 130 mil internações em crianças menores de um ano e 196 mil internações em crianças entre um e quatro anos de idade. Um número bastante expressivo.”

As pessoas mais suscetíveis à pneumonia são aquelas que estão nos extremos da população, ou seja, nos primeiros cinco anos de vida e com mais de 60 anos de idade. Na população infantil, o maior risco está no primeiro ano de vida, sendo que a taxa de mortalidade é maior nos primeiros seis meses.

“As crianças apresentam maior morbidade e mortalidade, principalmente no primeiro ano de vida ou quando existem outros fatores de risco, como prematuridade, desnutrição, cardiopatias e exposição à fumaça do cigarro. As complicações mais frequentes da pneumonia incluem derrames pleurais, pneumatoceles e abscessos pulmonares. No Brasil, a pneumonia aguda é responsável por 11% das mortes em crianças com idade inferior a um ano, e 13% na faixa etária entre um e quatro anos”, acrescenta o Dr. Silva Filho.

Os principais patógenos envolvidos na pneumonia são os vírus respiratórios, o Streptococcus pneumoniae (pneumococo), o Haemophilus influenza, a Moraxella catarrhalis, o Mycoplasma pneumoniae e a Chlamydia pneumoniae. Entretanto, o diagnóstico desta enfermidade nem sempre é fácil, pois os sintomas são similares aos de outras infecções. “O diagnóstico da pneumonia é clínico e radiológico, e as confusões com quadros de infecções virais das vias aéreas superiores, como resfriados e gripes, são frequentes. Em crianças, na indisponibilidade de método radiológico, existe uma recomendação da Organização Mundial da Saúde para a utilização da freqüência respiratória como um critério diagnóstico”, comenta o Dr. Silva Filho.

Além disso, o especialista afirma que o diagnóstico etiológico da pneumonia continua representando um grande desafio, mesmo após todos os avanços tecnológicos da medicina, devido à grande diversidade de agentes envolvidos na doença e a dificuldade de obtenção de material representativo do foco pneumônico. “Sinais clínicos específicos, culturas de vias aéreas superiores, índices laboratoriais de inflamação e sinais radiológicos peculiares apresentam fraca correlação com o agente etiológico.”

 Antibioticoterapia

Segundo o Dr. Silva Filho, como o diagnóstico etiológico é difícil, o tratamento da pneumonia deve ser feito por meio da antibioticoterapia empírica, direcionada para as etiologias de maior probabilidade. “Como o pneumococo é o agente mais freqüente em praticamente todas as faixas etárias, usualmente utilizamos a amoxicilina como droga de primeira escolha”, conta.

O especialista alerta para a necessidade de o médico estar atento às situações de risco que requerem tratamento intra-hospitalar, como idade inferior a três meses de vida, presença de complicações, derrame pleural, cianose ou outros sinais de insuficiência respiratória aguda. “Quando há suspeita de Mycoplasma pneumoniae deve-se utilizar um macrolídeo, como eritromicina, azitromicina ou claritromicina”, orienta.

No entanto, um dos grandes problemas que ainda preocupam os médicos em relação à antibioticoterapia é a resistência bacteriana. “Há uma preocupação crescente quanto ao aumento das taxas de resistência do pneumococo à penicilina. Países europeus como a Espanha apresentam taxas elevadíssimas de resistência, e o Brasil vem mantendo uma vigilância regular desta situação através de centros de referência como o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo”, declara o Dr. Silva Filho.

O pneumologista revela ainda que, apesar de ser observado um aumento nas taxas de resistência intermediária e absoluta do pneumococo à penicilina nos últimos anos, não há indicação para o emprego de drogas de maior espectro na abordagem inicial de pacientes com a pneumonia aguda. “Alguns centros têm adotado políticas de utilização de doses mais
altas de penicilina no tratamento intra-hospitalar de pneumonias, o que pode ser uma atitude temerária para o aumento das taxas de resistência bacteriana. Além disso, é preciso lembrar que os casos complicados de pneumonia têm curso mais arrastado e a resolução pode depender de outras intervenções, como a drenagem adequada do espaço pleural, não sendo necessárias as freqüentes trocas da antibioticoterapia.”

Na opinião do Dr. Silva Filho, medidas de saúde pública que reduzam a prevalência da desnutrição e facilitem o acesso da população aos serviços de atenção à saúde podem ter grande impacto na prevalência da pneumonia. “O risco de admissão hospitalar e mesmo da mortalidade associada às pneumonias são inversamente proporcionais à renda familiar, o que ilustra o caráter social do problema. A imunização de crianças com as vacinas do calendário básico é fundamental para reduzir a freqüência de pneumonias na infância, especialmente os casos graves e nos lactentes nos primeiros anos de vida. A vacinação dos idosos contra o vírus influenza também é uma medida de grande eficácia na redução da prevalência de pneumonias nesta população.”

Neste sentido, o pneumologista enfatiza que a vacina conjugada para pneumococo (heptavalente) é altamente eficaz na prevenção de doenças invasivas em crianças, incluindo a pneumonia e a meningite, mas ainda não está disponível na rede pública. “Entretanto, esta vacina é disponibilizada em centros imunobiológicos especiais de alguns Estados brasileiros para crianças de alto risco, como aquelas com doenças de base.”

 

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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