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EU CAUSO: VIDA

A asfixia continua a ser uma das principais causas de morte trágica em crianças, adolescentes, idosos e vulneráveis, por isso: Vamos causar salvando e evitando vítimas de ASFIXIA 

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Asfixia 

A Asfixia ou Sufocação é a interrupção ou dificuldade  dos movimentos respiratórios e/ou obstrução da entrada de ar nas vias aéreas que leva à  falta de oxigênio no organismo.

Os conhecimentos básicos de primeiros socorros são fundamentais, pois podem salvar uma vida. Nos casos de asfixia, a realização da respiração  boca a boca e compressões torácicas são primordiais

A asfixia vem ascendendo como uma importante modalidade de morte violenta em âmbito mundial, estando localmente sujeita a modificações de seu perfil, de acordo com aspectos socioculturais e geográficos. A  asfixia, no Brasil, é classificada como acidente por causa externa. De acordo com dados do Ministério da Saúde relativos ao ano de 2010, ocorreram cerca de 7.939 óbitos por riscos acidentais à respiração, afogamento e submersão acidentais . Quanto ao tipo: afogamento e submersão (48%), inalação/ingestão de alimento causando obstrução das vias aéreas (14%), inalação/ingestão de objeto causando obstrução obstrução das vias aéreas (29%), intoxicação por gases e outros vapores e exposição a outro tipo específico de fumaça (9% ) e trauma (sem dados específicos). Quanto ao mês, janeiro é considerado o que apresentava maior número de óbitos; e, segundo a ocupação, observou-se um total de 41,2% de indivíduos empregados, seguido de 26% de não informados e de 13,9% de escolares.

Acidentes na infância são importante causa de morbimortalidade no mundo, correspondendo a aproximadamente 53% dos agravos à saúde de crianças e jovens no Brasil e são a primeira causa de mortalidade entre 1 e 19 anos, apesar das campanhas de prevenção de acidentes, discussões nas escolas sobre trânsito e maior difusão dos aspectos preventivos entre os pediatras.

Asfixia, pode ser devido a:

  • corpo estranho: objetos de pequenas dimensões, alimentos mal mastigados, etc.)
  • Afogamento;
  • Estrangulamento;
  • Soterramento;
  • Obstrução por língua (muito comum nos idosos);
  • Gases tóxicos;
  • Choque elétrico;
  • Venenos;
  • Traumatismo na cabeça;
  • Alergia
  • outros (Ingestão de bebidas ferventes ou cáusticas, Pesos em cima do peito ou costas, Intoxicações diversas)

Dentre os acidentes, destaca-se a obstrução de vias aéreas por corpo estranho, chamada comumente de OVACE, a qual se refere a toda situação que pode afetar a ventilação de maneira parcial ou total, levando a vítima a asfixia e até a morte. Estatísticas americanas demonstram que 5% de óbitos por acidentes em menores de 4 anos se devem à OVACE e esta aparece como a principal causa de morte acidental nos domicílios em menores de 6 anos. No Brasil, a OVACE é a 3a maior causa de acidentes com morte. O Sistema de informações hospitalares informa que em 2012 foram realizados mais de 1,2 milhões de atendimentos pediátricos que tiveram este trauma como principal causa. A OVACE em crianças está associada à falha no reflexo de fechamento da laringe, controle inadequado da deglutição e hábito de levar objetos à boca. O descuido ou desaviso dos pais com determinados objetos passíveis de aspiração, como pequenos brinquedos e certos alimentos são fatores predisponentes. Os objetos mais frequentemente implicados na asfixia em crianças são, por ordem de frequência: alimentos, moedas, balões e outros brinquedos.

 Asfixia por sacos plásticos

Os sacos plásticos representam um risco grande nas mãos de crianças pequenas. Se uma criança colocar o saco na cabeça ou simplesmente enrolar sua cabeça nele e não for suficientemente independente para se desvencilhar, poderá morrer asfixiada, porque sua respiração fará com que o plástico cole em sua pele e o ar fique saturado dentro do mesmo. Não deixe que a criança brinque com sacos plásticos. No caso de atender a uma emergência deste tipo, você deve proceder da seguinte forma:

  • Retire o saco rapidamente, rasgando-o com as mãos. Cuidado para não machucar a criança.
  • Deite a criança de costas, sobre uma superfície rígida
  • Chame a criança, tocando-a pelos ombros
  • Se ela não responder, ligue para o serviço de emergência (SAMU-192)
  • Verifique se a criança respira, observando se o tórax expande, por 5-10 segundos. Se a criança não estiver respirando, inicie as compressões torácicas.
  • Coloque a região palmar de uma das mãos sob o centro do tórax da criança e realize 30 compressões
  • Após 30 compressões realize 2 ventilações boca-boca
  • , coloque uma das mãos sob o pescoço e outra sobre a testa, levando a cabeça para trás.
  • Realize 02 respirações boca a boca. Com os dedos da mão que está sobre a testa, tape as narinas da criança, coloque sua boca aberta sobre a dela e sopre com força. Ao perceber que o peito da criança se expande, tire a boca para que o ar seja expelido. Repita a manobra até normalizar
  • Após 02 ventilações reinicie as compressões.
  • Faça isso até a criança ter algum movimento ou voltar a respirar ou até o Samu chegar..

Corpos Estranhos

Corpo estranho (CE) é qualquer objeto ou substância que inadvertidamente penetra o corpo ou suas cavidades. Pode ser ingerido ou colocado pela criança nas narinas e conduto auditivo, mas apresenta um risco maior quando é aspirado para o pulmão.

Nesta última situação, a criança po se engasgar com o corpo estranho. Isto ocorre quando a criança está comendo, ou quando está com um objeto na boca, habitualmente peças pequenas de brinquedos.

No Brasil, milho, feijão e amendoim são os grãos mais comumente aspirados na faixa etária pediátrica. Por outro lado, o material mais relacionado a óbito imediato por asfixia é o sintético, como balões de borracha, estruturas esféricas, sólidas ou não, como bola de vidro e brinquedos.

A aspiração de corpo estranho (ACE) é descrita principalmente nas crianças do sexo masculino, o que reflete uma natureza mais impulsiva e aventureira nos meninos. Predomina na faixa etária pediátrica entre 1 e 3 anos de idade, com mais de 50% das aspirações ocorrendo em crianças menores de 4 anos e mais de 94% antes dos sete anos. É na idade até três anos que a criança não controla a mastigação e a deglutição de alimentos, pois não possui os dentes molares, estrutura importante na trituração de alimentos sólidos. A oferta de alguns tipos de alimentos a crianças pequenas, como amendoim, feijão, pipoca e milho, apresentam risco para a aspiração, pois as crianças vão degluti-los sem mastigar, e qualquer distração, risada, brincadeira ou susto pode precipitar o acidente. Além disso, a criança nesta idade possui o hábito de levar objetos à boca, como pequenos brinquedos de plástico ou metal, normalmente de irmãos mais velhos.

Logo após a aspiração de algum objeto, ocorre acesso de tosse, seguida de engasgo, que pode ou não ser valorizado pelos pais. A aspiração também deve ser considerada quando ocorre o primeiro quadro súbito de chiado no peito em crianças sem casos de alergia na família. Tosse persistente, chiado no peito, falta de ar súbita, rouquidão e lábios e unhas arroxeadas, são sinais sugestivos de que pode ter ocorrido a ACE.

Quando a ACE é parcial, a criança pode tossir e esboçar sons. Nesta situação, o melhor procedimento é incentivar a criança a tossir. Tossir é um reflexo do organizamos para expelir o corpo estranho. Não dê nada para criança comer ou beber. Isso pode piorar a situação da criança.

Quando a ACE é total, a criança não consegue esboçar qualquer som, está com asfixia, falta de ar importante e até com os lábios arroxeados. Nesta situação, deve-se realizar a manobra de Heimlich, descrita mais abaixo:

Corpos Estranhos no Nariz

Este é um dos acidentes mais comuns envolvendo crianças pequenas. Neste caso proceda da seguinte maneira:

  • Tente fazer a criança respirar pela boca e segurar o ar nos pulmões.
  • Aperte a narina desobstruída e peça para a criança assoar. Esta manobra requer a colaboração da criança, o que nem sempre é possível.

Se o objeto não for expelido ou se a criança não colaborar, não insista. Leva-a imediatamente ao pronto-socorro mais próximo.

 Aspiração de Pó

A aspiração de pó pode ocorrer com mais freqüência do que imaginamos. Um acidente bastante comum é a aspiração de talco colocado em armários no banheiro, em alturas acessíveis a crianças pequenas.

Neste caso:

  • Faça a criança tossir bastante. Estimule a tosse
  • Deite a criança de lado.

 Garagens

Não ligue o motor do carro num local fechado, sem ventilação. O monóxido de carbono expelido pelo carro é tóxico e pode matar.

 Registro de gás

Feche sempre o registro de gás a noite e ao sair de casa. Só assim você terá certeza de que nenhum imprevisto poderá acontecer durante o seu sono e sua ausência.

SINAIS CLÁSSICOS DE VÍTIMA DE ENGASGO

  • Tosse (na tentativa de expelir o corpo estranho);
  • Agitação (sensação de morte);
  • Levar as mãos à garganta (a vítima não consegue falar);
  • Dificuldades para respirar;
  • Mudança da cor da pele (cianose/arroxeado).

As vias aéreas de uma pessoa asfixiada podem estar total ou parcialmente bloqueadas. Um bloqueio completo é uma EMERGÊNCIA MÉDICA. Uma obstrução parcial pode rapidamente tornar-se uma ameaça à vida se a pessoa perder a capacidade de inspirar e expirar o suficiente. Sem oxigênio, danos cerebrais permanentes podem ocorrer em apenas 4 minutos. Os primeiros socorros rápidos para asfixia podem salvar uma vida.

  • O sinal de socorro universal para asfixia é pegar a garganta com uma ou ambas as mãos.

  • Se a pessoa estiver tossindo com força e for capaz de falar. A obstrução é parcial. Neste caso, incentive estimule a pessoa a tossir – uma tosse forte pode desalojar o objeto por conta própria.

  • Se a pessoa não conseguir falar ou emitir sons ela pode estar com uma obstrução TOTAL da via aérea. Neste caso você precisará agir. Pergunte à pessoa:
    • “Você está engasgando?” “Você pode falar?”

Existe uma técnica, chamada MANOBRA DE HEIMLICH, que qualquer pessoa pode fazer na tentativa de retirar o corpo estranho de uma vítima de engasgo total.

Manobras de Heimlich

Esta manobra poderá ser executada em pessoas a partir de 1 ano, quando a vítima estiver consciente.

  1. Apresente-se e explique o que será feito;
  2. Posicione-se atrás da vítima;
  3. Posicione a mão fechada abaixo do Apêndice Xifoide;
  4. Coloque a mão oposta sobre a primeira;
  5. Realizar compressões firmes direcionadas para trás e para cima (forma de J)
  6. Se não obtiver sucesso e notar que a vítima está desmaiada, coloque-a gentilmente no chão (ela perdeu a consciência e pode evoluir para Parada cardiorrespiratória);
  7. Ligue para o sistema de emergência SAMU-192
  8. Realize 30 compressões torácicas (coloque o calcanhar de uma das mãos no centro do tórax e a segunda mão sobre a primeira, realize compressões fortes e rápida – frequência de 100 -120 por minuto);
  9. Após 30 compressões, abra a boca da vítima e tente visualizar algo que possa estar causando a obstrução. Se possível retire o corpo estranho; Não faça varredura digital às cegas (isso pode empurrar o corpo estranho para baixo)
  10. Realize 2 ventilações boca-boca (se possível), estendendo o pescoço da vítima, fechando as narinas com os dedos polegar e indicador e colocando sua boca sobre a boca da vítima, soprando por 1 segundo cada ventilação
  11. Se não for possível retirar o objeto, , realizar novamente 8, 9 e 10 até conseguir retirar o copro estranho ou a vítima se movimentar ou voltar a respirar
  12. Em mulheres grávidas ou vítimas obesas, nas quais o socorrista  tenha dificuldade em envolver o abdômen, devem ser realizadas compressões no esterno (semelhante à manobra de RCP). Podem ser aplicadas em vítimas conscientes ou inconscientes.

Se for uma criança consciente com obstrução total, antes de realizar a manobra de Heimlic, ajoelhe-se atrás da criança, a fim de ficar na na mesma altura e depois proceda a realização da manobra.Em bebês e Recém-Nascidos (baixo de 1 ano) o engasgo pode ocorrer durante a amamentação, a alimentação ou pela introdução acidental de objetos na boca. O reconhecimento precoce da obstrução de vias aéreas nesse público é indispensável para o sucesso no atendimento.

  1. Utilizar a região hipotenar das mãos para aplicar 05 tapas no dorso do lactente (entre as escápulas);
  2. Virar o lactente segurando firmemente entre suas mãos e braços (em bloco);
  3. Aplicar 05 compressões torácicas, como na técnica de reanimação cardiopulmonar (comprima o tórax com 02 dedos sobre o esterno, logo abaixo da linha mamilar).
  4. Proceda esta manobra até o bebê desobstruir ou perder a consciência.
  5. Se ele perder a consciência, ligue para o serviço de emergência 0SAMU-192)
  6. Realize 30 compressões torácicas (coloque os dedos indicar e polegar logo abaixo a linha mamilar do bebê e realize compressões fortes e rápida – frequência de 100 -120 por minuto).
  7. Após 30 compressões, abra a boca da vítima e tente visualizar algo que possa estar causando a obstrução. Se possível retire o corpo estranho; Não faça varredura digital às cegas (isso pode empurrar o corpo estranho para baixo)
  8. Realize 2 ventilações boca-boca (se possível) Realize 2 ventilações boca-boca (se possível), estendendo o pescoço da vítima e  colocando sua boca sobre a boca  e a narina do bebê, soprando por 1 segundo cada ventilação
  9. Se não for possível retirar o objeto, realizar novamente 6, 7 e 8 até  conseguir retirar o copro estranho ou a vítima se movimentar ou voltar a respirar

Há a manobra de auto-heimilic. Que pode ser realizada se você estiver sozinho e se engasgar.

Técnica:

  • Você pode utilizar uma cadeira para fazer o auto-Heimlich

Matthew J Pavitt et al. Thorax 2017;72:576-578

  • MANOBRA HEIMLICH

Os tempos estatísticos são os seguintes:

  • 0-4 minutos: Danos cerebrais improváveis
  • 4-6 minutos: Danos cerebrais possíveis
  • 6-10 minutos: Danos cerebrais prováveis
  • Mais de 10 minutos: Morte cerebral provável

AÇÕES PREVENTIVAS  E  OUTRAS ESTATÍSTICAS

A asfixia ocorre, geralmente, por lesões acidentais ou auto-provocadas. Desta forma, a prevenção da asfixia passa pela promoção e prevenção de acidentes, de modo geral. Embora várias dessas situações não possam ser previstas, a ocorrência maior de asfixia em determinadas situações ou grupos de risco pode orientar medidas preventivas específicas.  As crianças, assim como os adultos maiores de 65 anos são os grupos populacionais com maior risco de sofrer uma asfixia por engasgamento. No caso dos adultos, o risco aumenta com a idade, chegando a ser a terceira causa de morte doméstica a partir dos 75 anos. Por outro lado, existem determinadas doenças ou afeções neurológicas que representam um grande risco de asfixia por engasgamento, devido à disfagia. A disfagia é a perda da função muscular que permite que os alimentos e os líquidos sejam corretamente engolidos. Estas doenças incluem as seguintes: esclerose múltipla, Parkinson, Alzheimer, paralisia cerebral, lúpus, lesões cerebrais, paralisia, distrofia muscular, derrame cerebral e ELA.
A realização de campanhas de conscientização, no verão, por exemplo, de cuidados com banhistas, respeito às orientações de salva-vidas, pode prevenir o afogamento, uma das causas frequentes de asfixia. Essas medidas são especialmente importantes em municípios com balneários.

Em jovens e adultos, além das exposições a acidentes e situações de violência, há risco aumentado de uso de substâncias psicoativas e problemas psiquiátricos, acrescendo o risco de asfixia tanto por intoxicação acidental como proposital, por exposição maior do indivíduo a acidentes e situações de violência.

Alia-se a isso o fato de que o risco de obstrução completa das vias aéreas por um corpo estranho alojado na laringe está associado a uma mortalidade o de 45%, e em pacientes asfixiados por uma obstrução transitória das vias aéreas pode ocorrer risco de encefalopatia hipóxica próximo de 30% trazendo não apenas impacto na morbimortalidade das crianças como grande trauma em toda a família, considerando que, na maioria das vezes, esses acidentes ocorrem em crianças saudáveis com todo o potencial de desenvolvimento e expectativas da família.

Embora a aspiração de corpo estranho seja um acidente freqüente na faixa etária pediátrica, com importantes índices de mortalidade e morbidade, poucos dados estão disponíveis em nosso meio. Nos EUA, tais acidentes são responsáveis pelo 4o lugar entre as causas de mortes acidentais em crianças em todas as idades e a 3a causa em menores de um ano de idade. De acordo com o National Safety Council,

(Injury Facts 2017), asfixia é a quarta principal causa de morte por lesão não intencional. Das 5.051 pessoas que morreram de engasgo em 2015, 2.848 tinham mais de 74 anos. idosos e vulneráveis.

Na Europa, os números de óbitos por Asfixia devido a Engasgamento, são semelhantes aos dos óbitos em Acidentes de viação.

  • 10 vezes mais óbitos do que os causados por incêndios
  • 4 vezes mais óbitos do que os causados devido a afogamento por imersão

(Fonte: De acordo com estatísticas do INE Espanhol de 2015)

A sua importância clínica se deve ao fato de que alguns pacientes podem progredir para obstrução total das vias aéreas, com grave hipóxia, lesão neurológica e até morte por asfixia. Em outros casos, o corpo estranho aspirado pode se alojar nas vias aéreas causando infecção pulmonar de repetição, atelectasias e semi-obstrução com vários danos à criança.

A aspiração de corpo estranho é uma condição ligada aos dois extremos da vida: crianças e idosos. A maioria dos casos ocorre em crianças maiores de seis meses e menores de cinco anos de idade, sendo sua maior distribuição entre os três primeiros anos. O sexo masculino é o mais acometido (2:1) e em alguns estudos observou-se mais incidência em negros (1,7:1). Em relação ao tipo de corpo estranho aspirado, há predominância absoluta de material orgânico (alimentos), que variam de acordo com os hábitos alimentares de cada país. Estes corpos orgânicos causam mais reação inflamatória no local onde se alojam, enquanto os inorgânicos, menos comuns, a não ser que causem danos obstrutivos, provocam reações de pequena intensidade, podendo ficar alojados por longos períodos nas vias aéreas. Estes são mais comuns em crianças maiores, constituídos principalmente por partes de canetas, clipes, pedaços de material plástico ou metálico.

Na maioria dos estudos, o local mais comum de localização do corpo estranho é o hemitórax direito, porém há relatos de incidência semelhante bilateralmente e também maior à esquerda.

Embora existam poucas análises a respeito, os acidentes domésticos com crianças ocorrem com mais freqüência no período da tarde, sendo o quintal e a cozinha os locais mais comuns5. Essas observações podem ser explicadas devido ao menor número de pessoas em casa nesse período do dia e menor vigilância. O quintal e a cozinha são locais onde existem maior número de objetos passíveis de aspiração, principalmente por crianças menores. De acordo com alguns estudos, aspectos socioeconômicos figuram como fator de risco para a aspiração de corpo estranho.

De todos os aspectos da aspiração de corpo estranho em crianças, as manifestações clínicas devem ser cuidadosamente valorizadas devido à grande variação de sua apresentação; e são influenciadas por vários fatores, como: idade; tipo de corpo estranho aspirado; local onde ele se aloja; grau de obstrução das vias aéreas; intervalo de tempo decorrido entre o episódio aspirativo e o diagnóstico. Na maioria dos casos, dependendo do grau de obstrução, existe história típica de tosse súbita, engasgamento e até mesmo cianose. Mesmo sem o relato de aspiração, o início súbito de sintomas em uma criança previamente hígida deve alertar para o diagnóstico. Como evolução de um processo agudo, pode ocorrer um período de latência, em que os sintomas clínicos são frustros, dificultando o diagnóstico se não há história consistente de aspiração prévia.

Apenas 10% dos corpos estranhos de vias aéreas são radiopacos, desta maneira deve-se procurar por sinais indiretos na radiografia de tórax. Exames radiológicos normais não excluem o diagnóstico e, de acordo com a maioria dos estudos, apenas a história do evento aspirativo aliada aos dados clínicos é o bastante para que se indique a broncoscopia. A broncoscopia rígida é o procedimento de eleição para o diagnóstico e tratamento da aspiração de corpo estranho em crianças e deve ser realizada o mais precocemente possível e de preferência por profissionais treinados, reduzindo-se, assim, o risco de complicações. As indicações cirúrgicas para a retirada de corpos estranhos são precisas, sendo rara a necessidade desse procedimento. Entre as principais indicações estão: a) objetos grandes e ásperos na região subglótica ou na traqueia; b) fragmentos de grama, que provocam danos irreversíveis ao pulmão, necessitando de ressecções pulmonares futuras; c) corpos estranhos alojados na periferia do pulmão; d) objetos em que o risco de retirada endoscópica exceda ao risco da cirurgia aberta.

A asma brônquica é dos principais diagnósticos diferenciais a ser considerado. Quaisquer doenças que cursam com obstrução das vias aéreas de causa infecciosa ou não devem ser cuidadosamente investigadas, principalmente nos processos pneumônicos de repetição e naqueles refratários ao tratamento adequado.

O maior número de complicações e sequelas encontradas nos casos de aspiração de corpo estranho se deve àqueles casos em que o diagnóstico é tardio e quando o corpo estranho é previamente manipulado na tentativa de retirá-lo.

Recomendações de prevenção NA CRIANÇA

O que você deve fazer para evitar que seu filho engasgue?

1) Não ofereça alimentos a crianças menores de 4 anos, sem amassar e desfiar a fibras.

2)Não deixar pedaços de alimentos no prato, principalmente os arredondados.

3) Os seguintes alimentos são de risco potencial para a aspiração: sementes, amendoim, castanha, nozes, milho, feijão, pedaços de carne e queijo, uvas inteiras, salsicha, balas duras, pipoca, chicletes.

4) Mantenha os seguintes itens da casa, longe do alcance de crianças menores de 4 anos: balões, moedas, bolinha de gude, brinquedos com peças pequenas, bolas pequenas, botões, baterias esféricas de aparelhos eletrônicos, canetas com tampa removível.

5) O que você pode fazer para prevenir o engasgo e aspiração:

6) Estar ciente das manobras de desobstrução que você pode fazer em casa, citadas acima.

7) Insistir para que as crianças comam à mesa, sentadas. Evite alimentá-las enquanto  correm, andam, brincam, estão rindo e não deixá-las deitar com alimento na boca.

8)Corte os alimentos em pedaços bem finos e ensine a criança a mastigá-los.

9) Supervisione sempre a alimentação de crianças pequenas.

10) Fique atento às crianças mais velhas. Muitos acidentes ocorrem quando irmãos ou irmãs mais velhas oferecem objetos ou alimentos perigosos para os menores.

11) Evite comprar brinquedos com partes pequenas e mantenha objetos pequenos da casa fora do alcance das crianças.

12) Siga a recomendação da embalagem dos brinquedos, com relação à idade ideal para aquisição.

13) Não deixe crianças pequenas brincarem com moedas.

Fique atento à disfagia DO IDOSO

A detecção do problema é multiprofissional e alguns sinais não podem ser ignorados, já que nem sempre são normais ao envelhecimento. Preste atenção e comunique ao médico, fonoaudiólogo ou outro profissional da saúde se:

  • o idoso tiver alguma doença de base, como diabetes, Parkinson, Alzheimer ou demência
  • sinais de aspiração de líquidos ou alimentos
  • complicações pulmonares
  • problemas na alimentação.

Um novo dispositivo para a ressuscitação de vítimas de asfixia, poderá ser uma grande arma, para salvarmos mais vidas. Este equipamento removeu com sucesso o cachorro-quente obstrutivo em 472 das 500 tentativas em uma tentativa, em 497 de 500 em duas tentativas, e todas as obstruções foram removidas em três tentativas. Os intervalos de confiança de 95% para a estimativa pontual da probabilidade de o dispositivo remover a obstrução (chamar a estimativa pontual “S”) exibida para três cenários, dependendo de como você define sucesso: tentativa de sucesso 1: 0,92 ≤ S ≤ 0,96, sucesso 2 tentativas: 0,98 ≤ S ≤ 1,0, sucesso 3 tentativas: 0,99 ≤ S ≤ 1,0 Intervalos de confiança de 99% para a estimativa pontual da probabilidade de que o dispositivo removerá a obstrução (chame a estimativa pontual “S”) mostrada para três cenários dependendo sobre como você define o sucesso: tentativa de sucesso 1: 0,91 ≤ S ≤ 0,97, sucesso 2 tentativas: 0,98 ≤ S ≤ 1,0, sucesso 3 tentativas: 0,99 ≤ S ≤ 1,0.

Este aparelho merece estudos mais aprofundados, pois há potencial para salvar vidas se outras manobras falharem em ressuscitar a vítima asfixiada.

O LifeVac é um dispositivo de sucção especialmente desenvolvido para desobustrção de uma via aérea da vítima quando o protocolo standard para casos de engasgamento foi seguido sem êxito. A duração da sucção é mínima, atuando em segundos, o que torna o LifeVac seguro e eficiente (3 etapas: posicione, pressione e puxe).

O LifeVac é eficiente e seguro. É leve, ocupa pouco espaço e não necessita de alimentação elétrica, podendo  ser levado ou estar sempre à mão e disponível para ser utilizado.

Que é que significa dispositivo não invasivo?

O LifeVac é um dispositivo de emergência não invasivo, pois  não penetra fisicamente no corpo.

Não contém nenhum elemento que provoque danos nas gengivas, dentes, palato ou língua.

Pode ser utilizado em qualquer pessoa?

Pode ser utilizado em qualquer pessoa, independentemente da idade ou da condição física. Também é  um produto ideal para as pessoas em que a manobra de Heimlich (contrações abdominais) é contraindicada ou pode ser ineficaz.

Estes casos compreendem:

  • Pessoas obesas que é difícil envolver o abdômen os
  • Idosos que apresentam ossos mais frágeis e suscetíveis de sofrer uma lesão
  • Pessoas que usam cadeiras de rodas que não podem ser rodeadas pelas costas
  • Mulheres grávidas.

Pode ser utilizado em pessoas que usam cadeiras de rodas?

O LifeVac pode ser utilizado sem necessidade de a vítima estar deitada. É eficiente desde que a vítima recline um pouco a cabeça para trás, pelo que é um recurso especialmente indicado para pessoas que usem cadeiras de rodas e que estejam a sofrer de engasgamento, dado que a cadeira de rodas impede a execução da manobra de Heimlich na mesma de uma forma eficiente.

Pode ser utilizado por uma pessoa em si mesma?

O LifeVac é muito simples de utilizar e pode ser utilizado por uma pessoa em si mesma para evitar uma situação de asfixia por engasgamento.
Lembre-se de que é fundamental a familiarização com o seu uso antes de uma situação de emergência, dado que isto aumentará em grande medida as possibilidades de êxito. O fato de se sentir à vontade no uso do produto lhe permitir-á enfrentar a  situação com mais calma e segurança.

Porque é O Lifevac tem a indicação de ser descartável?

O dispositivo LifeVac tem uma válvula especial com conceção patenteada que garante uma sucção eficiente quando o dispositivo está em ótimas condições.

Após o uso do produto para libertação de uma obstrução, restos desse material, quer líquido, quer sólido, podem-se introduzir no interior do dispositivo, pelo que não podemos garantir o funcionamento correto nem o seu estado de higiene.

O LifeVac está certificado por algum organismo?

O LifeVac está registado na FDA (United States Food and Drug Administration) com número de licença: 3011053282
Além disso, está certificado pela CE (Comunidade Europeia) em conformidade com a diretiva 93/42/EEC como dispositivo médico. E pela Anvisa (registro nº 10448330049)

Diante  a uma situação de obstrução total das vias áereas, o que é imprescindível é que se acalme e atue de forma rápida e precisa para ajudar a expulsar o corpo estranho. Essa pode ser, nem mais nem menos, a diferença entre a vida e a morte.”

Referências Bibliográficas

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Dr. Sergio Timerman

Dr. Sergio Timerman - CRM 44351 Especialista na área de Clinica Médica, Cardiologia, Terapia Intensiva e Emergências Médicas . Palestrante e Autor de diversas publicações médicas. Graduado em Medicina, pela Faculdade de Medicina do ABC. Residência Médica pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Dr. Sergio Timerman atende na Clínica Timerman em Higienópolis, São Paulo. Diretor do Centro de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares e do Time de Resposta Rápida, do Instituto do Coração (InCor) do HC FMUSP. Diretor e Consultor Médico em diversas empresas nacionais e internacionais, dentre elas, Companhia Aérea American Airlines, Escola de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi e Instituto Cultural Mauricio de Sousa. Atua no ensino de graduação e no treinamento de profissionais de saúde, além do ensino em emergência, sendo o introdutor no Brasil dos Cursos ACLS, BLS, PALS. Também está a frente dos projetos EMERGE no Brasil. Fundador do CLAR - Comitê Latino Americano de Ressuscitação ; e um dos Fundadores do ILCOR. Ex-Presidente da Fundação Interamericana do Coração. Coordenador de diversas Diretrizes Brasileiras de Emergências Cardiovasculares e Ressuscitação Cardiopulmonar e Atendimento Cardiovascular de Emergência. Enólogo, Apreciador da mais variada Gastronomia, e membro do mais exclusivo clube de viajantes do mundo - Concierge Key. Humanista de carteirinha, está sempre pronto a salvar vidas, como sempre diz: ”Tempo é Vida” - Solidário na ação de profissionais que vão ás ruas dar assistência voluntária a população carente, os sem-teto, Dr. Timerman, integra como colunista Ëu causo em Cardiologia ”

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