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Triatlo junto com o diabetes

Lições de um homem de ferro

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Lições de um homem de ferro

Vinícius Dias Santana, 34 anos chegou a ser o terceiro melhor triatleta do Brasil, convive há dezoito anos com o diabetes e vai muito bem, obrigado!

Apesar de se preparar desde 1997, foi só em 2000 que Vinícius Dias Santana, com 22 anos, decidiu levar o triatlo a sério. Para iniciar a nova etapa de treinamentos foi necessário realizar os exames de rotina e, com os resultados, veio também a surpresa: diabetes tipo 1. A primeira reação foi de susto e questionamento, mas Vinícius logo resolveu tocar a vida para frente e tirar o melhor proveito da situação.

“Acho que tive muita sorte em descobrir o diabetes assim, ainda no início. Normalmente, quando as pessoas recebem o diagnóstico, já estão com a glicemia bem alta e têm complicações. Claro que quando descobri que tinha diabetes me perguntava: por que eu? Naquela época eu não sabia quase nada sobre a condição, só conhecia aquele velho mito de que nesses casos não se pode comer doce. Então procurei me informar o máximo possível sobre o assunto, porque não queria deixar de praticar meu esporte. Soube que alguns atletas profissionais tinham diabetes e vi que era possível chegar aonde eu queria. O diabetes não seria uma barreira para mim”, relata Vinícius.

E olha que o rapaz não escolheu um esporte qualquer. Vinícius participava do Iron Man, a modalidade de triatlo que tem as distâncias mais longas: 3,8km de natação, 180km de ciclismo e  42km  de corrida, em provas com duração cerca de nove a 10 horas. Apesar de não ter patrocínio, o atleta contava com o apoio de algumas marcas de renome no meio esportivo.

Em uma das provas de 2006, a terceira etapa da competição Reebok Triathlon Long Distance, disputada em Pirassununga (SP), Vinícius alcançou o 5º lugar. Chegou a ser o terceiro melhor triatleta do Brasil e hoje é treinador do ironguides. Durante sua trajetória treinou diversos atletas com diabetes.

“Em 2004, participei do Iron Man Brasil como atleta amador e venci na minha categoria. Então, em 2005, resolvi participar como atleta profissional. Cheguei em 10º lugar na classificação geral e fui o quarto melhor do Brasil. Em 2006, cheguei novamente em 10º lugar no geral, mas fui o terceiro melhor do Brasil. Meu objetivo, sempre foi estar  entre os três melhores colocados,  explica o triatleta.

A rotina de Vinícius incluia dois ou três treinos diários e as aulas da faculdade de Comércio Exterior. “Até o meio do ano, trabalhava durante o dia, mas como tinha bons resultados no triatlo, resolveu investir e ver até onde conseguia chegar no esporte. Dividia os treinos entre os períodos da manhã e da tarde, e estudo à noite. Nos finais de semana, fazia os treinos mais longos, como pedalar 150km ou correr 20km, por exemplo. Por semana, treinava cerca de 30 horas.”

Com toda essa atividade, ele tinha um grande desafio: planejar sua rotina de cuidados com o diabetes. “Às vezes, a programação do treino mudava e meu maior problema era estar atento e pronto para as alterações, com as alternativas à mão no caso de surpresas. Usava insulina injetável e fazia quatro monitorizações de glicemia por dia. Durante as provas, media a glicemia a cada duas horas. Até hoje, tenho sempre uma insulina e um alimento a mais na mochila, uma ‘carta na manga’. Aliás, estabelecer uma rotina de cuidados foi a principal adaptação que tive que fazer quando soube que tinha diabetes”, comenta.

De acordo com Vinícius, a rotina de cuidados é algo com o que terá que conviver. “Sempre precisei ter uma noção de como seriar o meu dia, mas é claro prevendo uma flexibilidade. E isso para o esporte é muito importante. O atleta de alto rendimento treinava até a exaustão e tinha uma rotina, uma organização, acabava facilitando a evolução do dia-a-dia. Nesse ponto, foi fácil conciliar o diabetes com o triatlo”, acrescenta.

Em relação à alimentação, Vinícius conta que foram poucas as adaptações, pois, como já era um atleta, alimentava-se de forma adequada. “Sempre evitei os doces pelo fato de engordarem. Na verdade, em termos de dieta, o diabetes também foi positivo para a vida da minha família. O pessoal de casa acabou entrando na onda e, por isso, fomos beneficiados. Hoje, todos se alimentam de forma mais saudável.”

Além disso, o triatleta afirma que é preciso ter uma atitude positiva em relação ao diabetes. “Estudei, li muito sobre o diabetes. Na época em que recebi o diagnóstico não conhecia quase ninguém que tivesse diabetes, só uma vizinha que não falava muito sobre a condição. Até hoje acho que as pessoas que têm diabetes não gostam de falar nisso, têm algum preconceito. Eu faço tudo o que posso, da melhor maneira possível, para cuidar do diabetes. Na realidade, os fatores de limitação são impostos pela cultura antiga que existe sobre o diabetes e não pela realidade que o envolve, hoje em dia. Com informação, a pessoa pode desafiar seus limites”, ressalta.

Na opinião do atleta, o indivíduo que recebe o diagnóstico de diabetes tem duas opções: não aceitar sua condição e encarar as conseqüências ruins, ou levar a vida da melhor maneira possível, enxergando os pontos positivos. “Sim, o diabetes também traz pontos positivos para nossa vida, nos ensina a abrir os olhos, a dar valor para algumas coisas e a conhecer melhor o nosso organismo.”

Aprendizado próprio

Mesmo com os bons resultados e o pensamento positivo, em alguns momentos, ter diabetes fez diferença na carreira de atleta de Vinícius. “Em algumas situações cheguei a pensar que o diabetes estava me prejudicando. Quando minha glicemia está baixa, por exemplo, preciso comer alimentos que normalmente não comeria, e isso pode me deixar mais pesado. Mas preciso comer e não há outro jeito. No entanto, o importante é ter consciência de que a sensibilidade de uma pessoa com diabetes é grande. Ela passa a se conhecer melhor, a saber como seu organismo reage. Hoje, esse conhecimento do meu corpo me ajuda no dia a dia, com treino ou sem treino. Acho que é até uma vantagem para o atleta com diabetes”, opina.

O triatleta diz, ainda, que hoje a pessoa que tem diabetes está cada vez mais próxima, em termos de flexibilidade, da pessoa sem diabetes. “O tratamento não tem mais aquela rotina rígida de antigamente. Contamos com uma nova forma de lidar com a doença e os novos medicamentos e aparelhos de medição, que facilitam o controle da glicemia, estão disponíveis e são fáceis de usar. Mudou tudo. Costumo brincar dizendo que o diabetes apareceu na hora certa.”

Na opinião do triatleta, aprender a lidar com o diabetes é um desafio individual. O médico ajuda a pessoa a encontrar seu próprio caminho, mas cada um adapta sua rotina de cuidados a suas atividades. O importante é não desistir dos projetos de vida. Afinal, vencer mais este desafio é apenas uma questão de força de vontade.

Triatlo

O triatlo surgiu em San Diego, na Califórnia (EUA), em 1974. Começou como uma planilha de treinamento de férias de um clube de atletismo. Para descansar, os atletas deveriam nadar 500 metros na piscina do clube, pedalar 12km em um condomínio fechado, que ficava ao lado do clube, e correr 5km na pista de atletismo.

Os atletas gostaram dos exercícios e pediram para os treinadores repetirem a dose nas férias seguintes, mas, desta vez, convidaram os salva-vidas de San Diego para um desafio. A brincadeira teve 55 participantes e os atletas levaram vantagem. Mas, nas férias seguintes, em 1976, os salva-vidas propuseram algumas modificações: natação no mar (700m), ciclismo na avenida da praia e arredores (15km) e corrida de cross country (4,5km). Só naquele ano a disputa foi repetida por três vezes.

O triatlo passou por várias modificações até chegar às definições atuais, ganhando algumas variações:
– Triatlo de sprint: 750m de natação / 20km de ciclismo / 5km de corrida;
– Triatlo olímpico: 1,5km de natação / 40km de ciclismo / 10km de corrida;
– Triatlo Half-Iron Man: 1,9km de natação / 90km de ciclismo / 21km de corrida;
– Triatlo Iron Man: 3,8km de natação / 180km de ciclismo / 42km de corrida.

http://diabeticodeferro.blogspot.com/
http://ironguides.net.br

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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