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Aterosclerose: uma das principais causas isolada de morte no Brasil

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Fatores de risco

Não existem dados precisos sobre a prevalência da aterosclerose no Brasil, mas sabe-se que ela é responsável por 35% das mortes no País, sendo a principal causa isolada de morte. “Em todo o hemisfério ocidental, seja nos Estados Unidos, na Europa, na América Central e no restante da América do Sul, a situação é semelhante”, afirma o Dr. Protásio da Luz, diretor da Unidade Clínica de Aterosclerose do Instituto do Coração (InCor) de São Paulo.

A doença é caracterizada pela formação de placas lipídicas, os ateromas, distribuídas nas artérias de grande e médio calibre. O processo leva a um lento estreitamento dos vasos, prejudicando o fluxo sanguíneo e, eventualmente, causando obstrução. Em fases mais avançadas, as placas desprendem-se e ocupam a luz arterial, provocando a trombose.

Cerca de 60% dos pacientes apresentam a doença por causa dos seguintes fatores de risco: colesterol aumentado, diabetes, tabagismo, hipertensão arterial, sedentarismo, obesidade, síndrome metabólica, sexo masculino e idade avançada. “Nesses pacientes, é muito comum a associação de vários deles. Em suma, é uma doença multifatorial”, afirma o Dr. da Luz. Nos 40% restantes, no entanto, não existem fatores de risco conhecidos. “Pensamos que, nestes casos, possa haver a chamada disfunção endotelial, resultado de estresse oxidativo e outras causas que não são bem compreendidas”, diz o cardiologista.

Nos indivíduos que estão ou estiveram expostos aos fatores de risco, os exames preventivos devem ser realizados entre os 35 e os 40 anos, para verificar a existência de possíveis alterações. “Esse é um conceito importante, porque vários desses fatores não apresentam manifestação clínica. Os sintomas aparecerão quando já houver o comprometimento de um órgão-alvo”, explica o Dr. da Luz. Já naqueles que têm predisposição genética, caracterizada quando o pai ou a mãe tiveram aterosclerose antes dos 55 ou 60 anos, os exames devem começar na infância ou na adolescência. “O desenvolvimento da doença é quase certo. Não se deve esperar manifestações clínicas, pois pode haver alterações, como colesterol aumentado, muito precocemente”, diz o Dr. da Luz.

Caso a aterosclerose evolua, o paciente pode desenvolver uma série de doenças, de acordo com a artéria atingida. “Nas carótidas, a obstrução causa limitação de fluxo sangüíneo para o cérebro, gerando o ambiente propício para um acidente vascular cerebral. Nas coronárias, há várias conseqüências clínicas: angina estável, infarto agudo do miocárdio, infarto com elevações do segmento ST com supra e sem supra, síndrome coronariana aguda, insuficiência cardíaca e morte súbita. No sistema vascular periférico, a aterosclerose provoca claudicação intermitente nos membros inferiores. E, na aorta, ocorrem dilatações aneurismáticas”, afirma o Dr. da Luz.

Prevenção e tratamento

Segundo o Dr. da Luz, os métodos não-invasivos de diagnóstico têm um papel muito importante. Eles permitem a identificação de lesões arteriais precoces antes da manifestação clínica. Um desses exames é o ultra-som da carótida, que fornece informações muito importantes a respeito das características da parede do vaso. “Também temos a tomografia multi-slice, através da qual podemos identificar a presença de cálcio nas coronárias. Com os resultados, são calculados escores de cálcio para determinar o risco de doença”, afirma o Dr. da Luz.

Além desses exames, também podem ser utilizados a análise com radioisótopos, a cintilografia miocárdica, o teste de esforço, o eletrocardiograma em repouso e exames laboratoriais para dosar colesterol e triglicerídeos. “Atualmente, na chamada medicina preventiva, procura-se analisar o risco global do paciente. São levados em consideração todos esses fatores para determinar a situação do paciente. E, através disso, é feita uma proposta de tratamento”, explica o cardiologista.

O objetivo dessa proposta é tratar os fatores de risco, o que pode atenuar a evolução da aterosclerose. Há duas possibilidades: a primeira é a modificação do estilo de vida, em que o paciente realiza dieta alimentar, passa a praticar exercícios e, se for adepto do tabagismo, abandona o fumo. A modificação é aplicada a todos os pacientes, mas, se não obtiver bons resultados, é iniciada a terapia medicamentosa, específica para cada fator de risco. “O tratamento deve ser individualizado”, diz o Dr. da Luz.

O mesmo é feito no tratamento da aterosclerose já instalada, com o objetivo de estabilizar as placas e de diminuir a progressão da doença. “Se for o caso de hipercolesterolemia, são usadas as estatinas e as combinações delas com outro tipo de droga, o ezitimibe, capaz de facilitar a eliminação do colesterol intestinal”, diz o Dr. da Luz. “As estatinas são as melhores drogas que existem para esse tratamento”, completa.

Caso ocorram complicações agudas, como infarto do miocárdio, o objetivo passa a ser abrir a artéria, e o tratamento é diferente. O procedimento pode ser realizado através das substâncias estreptoquinase e ativador do plasminogênio tecidual (TPA). A tendência atual, no entanto, é a realização da angioplastia, pois possibilita um alívio mais rápido. No procedimento, um balão fino é introduzido dentro da artéria e, ao ser inflado, destrói as placas lipídicas. Se a angioplastia for realizada com a colocação de uma malha de aço (stent), a eficácia é maior. Nem todos os hospitais, no entanto, são equipados para a realização do procedimento. E, em casos mais graves ou quando há comprometimento de mais de um vaso, pode ser realizada uma cirurgia. “Na coronária e em casos de insuficiência vascular periférica, podem ser realizados a terapia medicamentosa, a angioplastia e o procedimento cirúrgico. Em casos de acidente vascular cerebral, são usadas as drogas, e há uma tendência mais recente da utilização da angioplastia”, afirma o Dr. da Luz.

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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