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Hipertensão Arterial

Necessidade em fazer o diagnóstico preciso

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Hipertensão arterial

 Pelo Dr. Ricardo Barbosa, cardiologista, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e membro titular da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI)

A hipertensão arterial é uma doença altamente prevalente na população brasileira e mundial com alto custo socioeconômico, principalmente devido às suas complicações. Daí a importância em fazer o diagnóstico preciso e uma terapêutica adequada, para minimizar seus feitos a longo prazo.

O diagnóstico da hipertensão arterial sistêmica no adulto deve ser feito a partir de aferições da pressão arterial (PA) com o paciente sentado ou deitado, após 5 a 10 minutos de repouso, utilizando os critérios da Sociedade Brasileira de Hipertensão:

Classificação diagnóstica da hipertensão arterial (adultos com mais de 18 anos de idade).

PAD               PAS

(mmHg)          (mmHg)          Classificação                        

< 85                 < 130                          Normal

85-89               130-139                      Normal limítrofe

90-99               140-159                      Hipertensão leve (estágio 1)

100-109           160-179                      Hipertensão moderada (estágio 2)

> 110               > 180                          Hipertensão grave (estágio 3)

< 90                 > 140                          Hipertensão sistólica isolada

A primeira medição deve ser realizada nos dois braços e, para não rotular o paciente como falso hipertenso, devem ser feitas mais duas medidas em dias diferentes. Uma vez confirmado o diagnóstico de hipertensão, o grande desafio do médico consiste em orientar o paciente para adotar providências não-farmacológicas como realizar atividades físicas moderadas regularmente, perder peso, moderar a ingestão de sal e gorduras, aumentar a ingestão de verduras, cereais e legumes, eliminar o tabagismo e diminuir o consumo de bebidas alcoólicas. É fundamental o repouso físico, psíquico e mental. As férias devem ser respeitadas como um momento de descanso físico e reflexão sobre os hábitos de vida que motivam o estresse.

Deve-se orientar o paciente sobre os riscos da pressão arterial não controlada, relatando aumento da incidência de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, perda de função renal, insuficiência cardíaca congestiva, perda de visão e outros riscos inerentes à doença.

Não podemos esquecer que na avaliação e controle da hipertensão arterial devemos também controlar os níveis de colesterol HDL e LDL, níveis glicêmicos e de triglicérides.

Quando não conseguimos controlar a pressão arterial com essas medidas não-farmacológicas, devemos então lançar mão dos medicamentos, sendo que atualmente não existe uma fórmula ou medicação única para tratamento dos pacientes, devendo ser realizado de forma individualizada.

Tratamento

As drogas mais recentes têm boa potência e possuem baixos índices de efeitos colaterais, quando comparadas aos medicamentos mais antigos. Não devemos esquecer que, mesmo assim, em menor ou maior grau, dependendo do indivíduo, os efeitos podem aparecer, como: câimbras, diminuição da libido no homem, sonolência, inchaço dos pés, cefaléia, tosse, dependendo da classe de anti-hipertensivos utilizada.

O tratamento da hipertensão tem como objetivo diminuir a morbimortalidade e atualmente fundamenta-se no uso de mais de um medicamento, mesmo quando leve, pois assim se consegue melhor controle da PA em 24 horas com um mínimo de efeitos colaterais e melhor proteção de órgãos-alvo.

A manutenção dos níveis pressóricos inferiores a 140x90mmHg está associada à diminuição das complicações cardiovasculares. Reduções para níveis iguais ou menores que 130x80mmHg são indicadas para pacientes diabéticos, normoalbuminúricos ou não e portadores de nefropatia crônica.

Estudos clínicos randomizados têm mostrado redução da incidência de acidente vascular cerebral em 35 a 40%, redução de infarto do miocárdio em 20 a 35% e redução da insuficiência cardíaca congestiva em até 50%.

Estudos recentes demonstraram que apenas um terço dos pacientes consegue reduzir a pressão arterial para níveis desejados e, diante da necessidade de melhor controle dos níveis pressóricos, existe uma clara tendência ao uso de associações de drogas como primeira escolha no tratamento da hipertensão mais avançada, estágios II e III, o que também melhora a adesão do paciente à terapia.

Recentemente, o estudo PROGRESS constatou que, associado à indapamida, o perindopril reduz a incidência de eventos cardiovasculares em pessoas que sofreram acidente vascular cerebral. Ressalta-se que tal redução de risco foi obtida independentemente do tipo de acidente – isquêmico ou hemorrágico – e da presença ou não de hipertensão.

Em recente artigo de revisão, Campbell e cols. (Vasc Health Risc Manag. 2006;2(2):117-24) mostraram que o perindopril isoladamente reduz eventos cardiovasculares em indivíduos com doença arterial coronariana crônica, e quando associado com indapamida reduz eventos cardiovasculares em indivíduos com doença cerebrovascular.

Uma outra análise do estudo Progress, realizada por Arima e cols. (Stroke. 2005 Oct;36(10):2164-9. Epub 2005 Sep 1) mostrou que o benefício do perindopril associado à indapamida também ocorreu em pacientes com fibrilação atrial e acidente vascular cerebral (AVC), reduzindo em 38% os eventos vasculares maiores e em 34% a ocorrência de novo AVC.

Benefícios adicionais da associação perindopril e indapamida também ficaram evidentes em estudo realizado por Morgensen e cols. (Hypertension. 2003;41:1063), onde ficou demonstrada a superioridade dessa associação em contraste com enalapril, com reduções mais significativas dos níveis pressóricos e da microalbuminúria em pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2, sendo esta última importante marcador de risco cardiovascular.

Portanto, a associação perindopril e indapamida encontra ampla indicação para tratamento da hipertensão arterial em qualquer estágio, além de conferir grande proteção cardiovascular e redução de microalbumnúria em pacientes de maior risco como diabéticos, coronariopatas e aqueles com acidente vascular cerebral prévio.

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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