Saúde

Infertilidade

“A mulher tem postergado a idade para engravidar e se dedicado mais à formação profissional. Entretanto, sabemos que após 35 anos existe um declínio do patrimônio e da qualidade dos óvulos”,

Loading Likes...

Idade é a principal causa de infertilidade feminina

O número de casais incapazes de ter filhos vem crescendo consideravelmente a cada ano. Os motivos são os mais variados. Entretanto, a importância que a maioria das mulheres dá à carreira profissional, adiando a decisão da maternidade para depois dos 35 anos de idade, vem ganhando maior destaque nos últimos tempos.

A organização Mundial da Saúde (OMS) determina que infertilidade conjugal é caracterizada quando o casal, após 18 meses sem praticar métodos anticoncepcionais, não consegue engravidar. Já o conceito americano diminui esse período para 12 meses. É um fenômeno universal e que atinge entre 10% e 15% dos casais, independentemente das origens culturais ou sociais.

O Dr. Dirceu Mendes Pereira, médico ginecologista formado pela UNIFESP, Mestre em Ginecologia e Obstetrícia pela FMUSP e Doutorado em Ginecologia e Obstetrícia pela FMUSP, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), explica que a infertilidade masculina se dá quando o homem é portador de subfertilidade, ou seja, temporariamente não consegue engravidar uma mulher, o que não quer dizer, contudo, que o indivíduo seja estéril. A esterilidade se define quando não há possibilidade, ou por ausência total de espermatozóides, ou porque há bloqueios na passagem do sêmen. “Essa condição de infertilidade já representou muito sofrimento para os homens, pois havia o mito que confundia fertilidade com potência sexual. Hoje, embora ainda seja um tabu para muitos, o nível de esclarecimento é maior, consequentemente o desespero é menor”, diz.

Diagnóstico

Para avaliar a infertilidade do homem é essencial um histórico detalhado e um exame físico completo. Do ponto de vista laboratorial, a análise seminal se faz necessária, embora os resultados da análise simples não possam determinar anomalias estruturais dos espermatozóides. Contudo, o espermograma fornece informações importantes sobre a espermatogênese e a permeabilidade do trato reprodutivo.

O médico confirma que entre os fatores de infertilidade feminina o principal é a idade. “A mulher tem postergado a idade para engravidar e se dedicado mais à formação profissional. Entretanto, sabemos que após 35 anos existe um declínio do patrimônio e da qualidade dos óvulos”, explica o médico, destacando que, além disso, é necessário se investigarem fatores como inflamação, obstrução ou aderência nas trompas, doenças sexualmente transmissíveis, distúrbios de ovulação, tumores na matriz do útero (fibromas, pólipos etc.) e endometriose, para descobrir com exatidão a causa da infertilidade feminina.

Embora o diagnóstico na mulher seja mais complexo, o Dr. Mendes Pereira alerta que, uma vez esclarecida a causa do problema, sua resolução é considerada muito melhor do que quando a disfunção é no homem. Isso porque o organismo feminino sempre foi mais estudado que o masculino em termos de fisiologia e fisiopatologia. Principalmente após a descoberta da injeção intracitoplasmática do espermatozóide (ICSI), as causas da infertilidade masculina têm sido pouco estudadas. “Um único espermatozóide é injetado dentro de cada óvulo com auxílio de uma micropipeta e um microscópio com micromanipulador. Mais recentemente estamos trabalhando com a técnica de ampliação de imagens, o que permite magnificar um espermatozóide até 8000 vezes”.

O diagnóstico “tardio” pode ser considerado altamente negativo no tratamento, tanto para o homem quanto para a mulher. “A mulher quando ainda está no ventre da mãe tem cerca de 8 milhões de unidades foliculares que serão os futuros óvulos. Quando nasce, esse número cai para 2 milhões, ocorrendo um processo de autodestruição (apoptose). Na puberdade, a menina possui cerca de 300 mil, índice suficiente para usar em 30 anos de vida reprodutiva”, conta o especialista, explicando que quando a mulher atinge os 35 anos o número de óvulos está altamente reduzido, além disso, indicadores revelam que após essa idade a mulher começa a perder a fertilidade a cada ano.

“Aos 40 anos tem condições bastante limitadas de engravidar e uma chance muito alta de abortar, porque os óvulos já estão danificados, já sofreram o impacto ambiental muito grande”, afirma o médico.

Com relação ao homem, o Dr. Mendes Pereira conta que antigamente havia um mito de que os espermatozóides eram renovados várias vezes e que não haveria problema com o tempo. “Entretanto, homens que têm filhos aos 80 anos são exceções. Sabemos que depois dos 45 anos o homem começa a ter um declínio da fertilidade e a demonstrar dificuldades na sua função e morfologia. Sobretudo se o indivíduo tem maus hábitos, como fumar, beber e não praticar exercícios.”

Técnicas de tratamento e os avanços no setor

 Se o casal for portador de uma infertilidade sem causa aparente, onde todos os exames revelam-se normais, o médico pode fazer uso do arsenal terapêutico medicamentoso. Substâncias antioxidantes que combatem os radicais livres para diminuir ansiedade e estresse podem ser utilizadas em determinados casos. A fertilização in vitro está indicada em casos rebeldes ao tratamento ou quando a idade torna-se ameaçadora para a fertilidade.

Procedimentos complementares são auxiliares no diagnóstico e tratamento, como por exemplo: histeroscopia e laparoscopia, utilizados para corrigir e remover alterações anatômicas que possam afetar a obtenção de gravidez. A estimulação ovariana onde se utilizam medicamentos hormonais para induzir a ovulação, produzindo um maior número de óvulos. E inseminação intra-uterina (IIU), quando, após a indução da ovulação, o sêmen é preparado em laboratório (capacitação espermática) e colocado diretamente no fundo do útero através de um cateter, no período da postura ovular. Todavia não é aconselhável exceder mais do que três tentativas.

O médico observa que entre as técnicas de reprodução assistida, a mais conhecida é a in vitro (FIV), popularmente conhecida como bebê de proveta, na qual os óvulos são coletados dos ovários com auxílio de ultra-sonografia transvaginal, e fecundados no laboratório com os espermatozóides. “A fertilização in vitro, em 1978, foi sem dúvida a maior revolução no que diz respeito à reprodução humana. Quando ela foi idealizada, havia gestações esporádicas, que não chegavam a 5%. Hoje aumentamos esse índice para 50 a 55% de gravidez. E acreditamos que aumentaremos ainda mais essas taxas, porque o desenvolvimento tecnológico está acontecendo, o que obviamente propicia resultados sempre crescentes”, opina o médico.

A ICSI é um procedimento refinado que revolucionou o tratamento da infertilidade masculina (1992), e nela um único espermatozóide é injetado dentro de cada óvulo com auxílio de uma micropipeta e um micromanipulador. O método foi inicialmente utilizado nos casos graves de infertilidade masculina e atualmente é utilizado em vários casos de infertilidade.

No tocante a mulher, a fertilização in vitro tem conseguido resultados satisfatórios, mas a idade tem se tornado um grande obstáculo. “Obviamente, quando a mulher chega aos 45 anos de idade, terá que optar por óvulos doados para ter filhos, pois nessa idade os óvulos já perderam quase que totalmente sua qualidade”, ressalta.

Complicações anteriores

Casos em que determinada patologia está provocando a infertilidade devem ser minuciosamente acompanhados. Endometriose, inflamações e infecções, varicocele, são exemplos que o Dr. Mendes Pereira cita de afecções cujo ideal é que sejam tratadas precocemente. Como raramente se consegue tratamento adequado no tempo indicado, são as sequelas que irão determinar a infertilidade do casal. “Quando recebemos as pacientes com sequelas pouco se pode fazer, porque muitas vezes o distúrbio já se tornou um fenômeno inflamatório crônico, já existem aderências pélvicas na mulher e até mesmo destruição dos órgãos.” O médico explica que a endometriose na fase severa pode inviabilizar completamente a gravidez para a mulher, porque compromete os ovários, mas se ela optar por doação de óvulos poderá engravidar, desde que o útero tenha sido poupado.

No homem também há casos insolúveis, quando não existe produção de espermatozóides (espermatogênese). “Hoje podemos conseguir, inclusive com meio de cultura in vitro, amadurecer as formas mais primordiais dos espermatozóides”.

Uma das esperanças é a produção de gametas através de células-tronco. Já conseguimos espermatozóides de roedores “in vitro” a partir de células-tronco e estamos pesquisando essa possibilidade em humanos. Conseguimos também produzir espermatozóides humanos através da injeção de células-tronco em testículos de ratos. Dentro de três a cinco anos, se as coisas caminharem bem, poderemos, a partir da célula-tronco embrionária, ou extraída da medula, ou da polpa de um dente de leite, levar essas células a se transformarem em espermatozóides e óvulos.”

A expectativa dos casais e a relação com o médico

“A infertilidade é uma ferida narcísica do casal, pois todo o ideal de perpetuar-se no tempo sucumbe quando a pessoa é infértil ou estéril. Ele não vai conseguir transmitir o seu genoma caracterizando a finitude do ser humano”, esclarece o Dr. Mendes Pereira, comentando que para um casal tal situação é extremamente grave.

A mulher que tem o ideal da maternidade, de carregar um filho no ventre passa por turbilhões emocionais. Por isso, o médico conta que é comum o casal apresentar ansiedade, estresse, depressão e processos anímicos durante o diagnóstico e tratamento. “É muito importante a relação médico-paciente, porque de nada adianta um médico ter muito conhecimento se ele não consegue construir um vínculo com o casal. Muitas gestações podem ocorrer inclusive se o caso não for objetivamente um fator que impeça a paciente de engravidar. Muitas vezes a simples consulta médica, aquilo que o médico consegue, com seu carisma, transmitir para o casal mobiliza forças internas e a cliente engravida”, salienta o especialista, orientando que as mulheres podem conciliar a profissão com a gestação.

Hoje já existe a possibilidade de as mulheres congelarem os óvulos, através da vitrificação, que vem conseguindo taxas expressivas de gravidez. “Chega o momento em que a mulher próxima dos 30 anos pode congelar óvulos, fazer a sua carreira e aos 40 utilizar os óvulos que estavam hibernando e fazer um embrião”, conclui.

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Veja Também

Fechar