Saúde Mental

Epilepsia

Epilepsia Mioclônica Juvenil

Loading Likes...

Abalos mioclônicos

A epilepsia mioclônica juvenil (EMJ) é um tipo relativamente frequente de epilepsia, representando 7 a 9% das epilepsias. Tem início entre os 9 e os 27 anos de vida, e em 85% dos casos, entre os 13 e os 20 anos.

De acordo com a Dra. Elza Márcia Targas Yacubian, coordenadora da Unidade de Pesquisa e Tratamento das Epilepsias da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP), o melhor conhecimento da síndrome tem contribuído para o aumento da taxa de prevalência. “Trata-se de uma forma muito mais comum de epilepsia do que a epilepsia ausência da infância ou picnolepsia, muito mais conhecida, a qual corresponde a apenas 3 a 4% das epilepsias em geral”, diz.

As crises da EMJ, essenciais para o diagnóstico da síndrome, são representadas por abalos mioclônicos, principalmente durante o despertar. “As crises tônico-clônicas generalizadas (TCG), que geralmente motivam a consulta médica, são referidas por 90 a 95% dos pacientes, e as crises de ausência ocorrem em 15 a 40% dos casos”, acrescenta a Dra. Elza Márcia.

Ela explica que os abalos mioclônicos geralmente são bilaterais, mas nem sempre simétricos, podem ser únicos ou repetitivos, são rápidos e de amplitude variável. Quando assimétricos, podem ser confundidos com crises parciais motoras. “Esse é um fator importante de erro no diagnóstico, conduzindo a erros na escolha da melhor droga antiepiléptica. Eles sempre são mais pronunciados e frequentemente restritos aos membros superiores, e podem acometer a musculatura cervical, os membros inferiores (ocasionando queda) e, excepcionalmente, a face”, diz a especialista, acrescentando que a consciência é usualmente preservada, podendo haver certa obnubilação quando muito intensos.

Algumas vezes as mioclônias são muito discretas, percebidas apenas pelos pacientes, que as descrevem como sensação de choques elétricos. Outras vezes são intensas, provocando movimentos violentos com o arremesso de objetos.

Na prática clínica, explica a Dra. Elza Márcia, raramente são observados casos de pequeno mal impulsivo puro, ou seja, pacientes apresentando apenas abalos mioclônicos. “A explicação para este fato é que tanto os pacientes como os médicos atribuem essa sintomatologia a nervosismo ou estresse, o que não é inteiramente injustificado, pois os abalos ocorridos ao início da doença geralmente manifestam-se após eventos associados à desorganização da vida do paciente, tais como a privação do sono ou a ingestão excessiva de álcool. Na maioria dos casos o diagnóstico correto é feito somente após a primeira crise TCG”.

As crises TCG são frequentemente precedidas por uma série de abalos que se sucedem rapidamente, motivo pelo qual foram denominadas de grande mal impulsivo e de crises clônico-tônico-clônicas generalizadas. Elas são seguidas por um período de quiescência dos abalos durante dias ou semanas. Em aproximadamente 94% dos casos, a Dra. Elza Márcia explica que tanto as crises TCG como os abalos mioclônicos ocorrem quase que exclusivamente ao despertar. “Isso foi o que motivou a classificação da EMJ no grupo das epilepsias do despertar”.

As crises de ausência costumam ser do tipo ausências simples, raras, de curta duração, manifestando-se durante algumas horas ou dias, com intervalo de dias ou semanas sob a forma de breves lapsos. O pequeno mal impulsivo típico pode se instalar durante a picnolepsia ou a suceder.

A Dra. Elza Márcia explica que outros tipos de crises epilépticas raramente são observados na EMJ: “Mas as crises febris podem ser mencionadas na história de pacientes com EMJ, assim como, porém em menor porcentagem, as crises astáticas, as crises mioclono-astáticas na infância e as crises parciais, possivelmente decorrentes de complicações ocasionadas por crises TCG freqüentes ou por traumatismo cranioencefálico”.

Tratamentos tradicionais

O tratamento da EMJ é baseado em dois princípios igualmente importantes: a prevenção de fatores precipitantes e a terapia medicamentosa. Como as crises na EMJ são dependentes de fatores precipitantes, a Dra. Elza Márcia explica que no tratamento é essencial a regularização do ciclo vigília-sono, instruindo o paciente para que evite circunstâncias que possam perturbar o sono natural e o despertar gradual.

Além disso, a ingestão de bebidas alcoólicas desencadeia crises diretamente através da privação e desorganização dos ciclos de sono e da estimulação psíquica, impedindo que o paciente sinta a fadiga natural. “Portanto, o controle da ingestão de bebidas alcoólicas também é uma medida terapêutica importante”, ressalta a médica.

Devem ser evitadas ainda situações que exponham os pacientes a estimulações luminosas, principalmente se na anamnese foi relatada fotossensibilidade. Cerca de 30% dos pacientes são fotossensíveis. “Apenas essas medidas podem ser suficientes para controlar as crises pelo menos no início da doença”, completa a especialista, dizendo que na maioria dos pacientes com EMJ as crises podem ser bem controladas com medicação antiepiléptica adequada.

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Veja Também

Fechar