Saúde

Cefaléia, Migrânia ou Enxaqueca

Tudo referencia a dor de cabeça

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Abordagens da cefaléia

 A cefaléia é citada em estudos médicos como a queixa mais frequente nos consultórios e ambulatórios de neurologia. Sua alta prevalência na população mundial – que se reflete também aqui no Brasil – faz com que ela ganhe cada vez mais atenção entre os especialistas. “Para se ter uma idéia da importância do problema, no nosso meio, as cefaléias são a terceira causa de atendimento em ambulatórios de clínica médica e a primeira em ambulatórios de neurologia. Se perguntarmos a 10 pessoas, em torno de 9 afirmaram que já apresentaram cefaléia pelo menos uma vez na vida”, cita o neurologista Dr. Pedro Augusto Sampaio Rocha Filho, médico colaborador do Ambulatório de Cefaléia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e doutorando em Ciências com Área de Concentração em Neurologia pela FMUSP.

As cefaléias dividem-se em dois grandes grupos: as primárias e as secundárias. “Nas cefaléias primárias, a própria cefaléia é a principal manifestação da doença e não é encontrada uma lesão estrutural, já nas cefaléias secundárias, a cefaléia é um sintoma da doença. Por exemplo, qualquer infecção que a pessoa tenha pode ocasionar dor de cabeça”, explica o neurologista.

De acordo com o Dr. Rocha Filho, há um número muito grande de causas para as cefaléias secundárias, estas podem ser enquadradas em 10 grupos diagnósticos. Já nas cefaléias primárias, os tipos mais comuns são a tensional e a migrânea – popularmente conhecida como enxaqueca. “A cefaléia tipo tensional é mais comum na população do que a migrânea. Porém, o fato de a segunda causar maior repercussão na qualidade de vida das pessoas, faz com que haja uma maior procura por atendimento médico por parte das pessoas que sofrem desse tipo de cefaléia”, explica.

Os danos que a migrânea pode trazer para a vida do indivíduo fizeram com que, ao longo dos anos, ela ganhasse maior atenção nos consultórios médicos. Antes, tratada como uma simples dor de cabeça, hoje, ela é tema de importantes pesquisas no mundo todo. Hoje já se sabe que esta doença é causada por alterações no Sistema Nervoso Central. Muitos pesquisadores consideram que a migrânea pode ser uma doença progressiva no sentido de que algumas pessoas podem ter um aumento progressivo da frequência de crises, chegando, em alguns casos, a esta cefaléia se tornar diária. Para que ocorra uma progressão da doença, são citados como fatores importantes o uso abusivo de medicações sintomáticas para as crises e a presença de co-morbidades psiquiátricas.

A migrânea é mais comum nas mulheres do que os homens. “Ela é mais comum entre as mulheres, com a prevalência variando de 12 a 33% das mulheres e de 4% a 11% dos homens”, cita o médico. A relação entre homens e mulheres que sofrem de migrânea também tem alterações de acordo com a faixa etária analisada. “Na criança, a prevalência da migrânea é maior nos meninos que nas meninas. Mas quando a análise é feita comparando-se homens e mulheres na fase reprodutiva, mais mulheres relatam enxaqueca que os homens”, compara o neurologista. “Principalmente, na adolescência e na fase adulta há um aumento da prevalência de migrânea nas mulheres”, complementa.

De acordo com o Dr. Rocha Filho, a maior prevalência da migrânea ocorre entre os 25 e 55 anos, ou seja, em plena idade reprodutiva, o que tem repercussões econômicas importantes, com queda da produtividade e de perdas de dias de trabalho. Outros dados já comprovados por pesquisas foram a incidência maior de migrânea entre aqueles que possuem histórico familiar e a influência de fatores bioquímicos. “Sabemos que existe uma associação muito forte da migrânea com o ciclo menstrual. Por exemplo, algumas mulheres relatam um aumento das crises e outras só têm crises durante o período menstrual”, cita o Dr. Rocha Filho.

Diagnóstico e tratamento

Hoje melhor compreendida pelos médicos e pela população, a cefaléia de modo geral – principalmente a migrânea – começou a ser mais diagnosticada e tratada. “O diagnóstico das cefaléias é basicamente clínico. O mais importante é a história que o paciente conta”, diz o médico.

“Depois da anamnese, vem o exame físico, para verificar se o paciente possui alguma alteração. Dependendo da história e do exame físico, pedimos algum exame complementar se suspeitarmos de uma cefaléia secundária”, diz.

Para o Dr. Rocha Filho, na maioria das vezes, só a história e o exame físico são suficientes para dar o diagnóstico. “Dessa forma, o médico pode classificar a cefaléia como sendo primária ou secundária e verificar de que tipo ela é”, diz, explicando que o diagnóstico correto é necessário para se indicar o melhor tipo de tratamento.

“O tratamento da migrânea tem várias partes. A primeira é tentar identificar os fatores desencadeantes da crise. Muitas pessoas referem que privação de sono, dormir demais, deixar de comer nos horários certos, estresse emocional, ingerir determinados alimentos ou o uso de álcool podem desencadear as crises. Então, se a pessoa consegue identificar isso, você orienta a evitar esses fatores”, observa o médico.

Faz parte do tratamento uma orientação sobre a doença, sobre as medicações a serem usadas como abortivas da crise de cefaléia e sobre a profilaxia da mesma. Há uma grande variedade de medicações que podem ser usadas. “Há drogas para abortar a crise e também para que se faça o tratamento profilático. A prevenção é indicada nos casos em que há uma repercussão importante da migrânea na vida das pessoas e quando a freqüência das crises é alta. Em geral, consideramos como alta, uma freqüência de crises maior que três vezes por mês. A finalidade da prevenção é diminuir a freqüência e intensidade das crises, melhorando assim também a ação das drogas abortivas da crise. Com a prevenção, diminuímos o impacto da migrânea na qualidade de vida de quem dela sofre e tentamos evitar que a doença progrida e que ocorra um uso excessivo de medicações sintomáticas”, analisa o neurologista.

Segundo o Dr. Rocha Filho, dependendo do tipo de dor de cabeça, o médico deve optar por um medicamento específico. “Para a prevenção das crises de migrânea, podem ser usados, por exemplo, os betabloqueadores, os anticonvulsivantes e os bloqueadores do canal de cálcio”, cita o médico. “Já no tratamento abortivo das crises, o profissional pode lançar mão de medicações mais gerais para dor como os analgésicos comuns e os antiinflamatórios, ou de drogas mais específicas, no caso da migrânea. Para tratar o segundo caso, enquadram-se os ergóticos e os triptanos”, enumera.

Atualmente, novos medicamentos estão sendo estudados. “Há novas drogas abortivas para a enxaqueca, mas ainda não foram liberadas”, comenta o neurologista. “Acredito que, futuramente, essas novas drogas irão somar-se ao arsenal que temos atualmente”, finaliza.

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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