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Contracepção e adolescência

Contracepção e adolescência: uma questão delicada

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Atividades sexuais entre os adolescentes

O início cada vez mais precoce das atividades sexuais entre os adolescentes criou um novo panorama para os profissionais de saúde que atendem esse público. Nos dias de hoje, a indicação de métodos contraceptivos para pacientes menores de idade tornou-se uma realidade, entretanto, essa opção deve ser encarada de forma criteriosa pelos médicos. Essa é a opinião da Dra. Isabel Bouzas, ginecologista do Núcleo de Estudos da Saúde na Adolescência (Nesa), centro vinculado à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e que trabalha há mais de 20 anos com pacientes nessa faixa etária.

De acordo com estatísticas mais recentes, a média do início da atividade sexual gira em torno dos 14 anos. “Essas mesmas pesquisas também apontam que a maioria desses adolescentes tem suas primeiras relações sem o uso de nenhum método anticoncepcional”, frisa a ginecologista.

Diante desse quadro, a decisão de se prescrever um método contraceptivo deve ser acompanhada de uma avaliação criteriosa do perfil da paciente e de um acompanhamento, com o objetivo de aumentar a eficácia. A opção, segundo a orientação da Dra. Isabel, deve levar em conta fatores importantes. O primeiro deles deve ser a questão relacionada às características comuns inerentes à idade. “Em tese, não seria conveniente utilizar um método hormonal nos dois primeiros anos após a menarca. Mas a partir do momento que você tem um risco de uma gravidez não planejada e essa gravidez terá uma morbidade maior que o uso de anticoncepcional, acredito que o médico possa fazer esse tipo de prescrição. Existe essa ressalva”, analisa a médica.

De acordo com ela, a lei ainda proíbe a prescrição para menores de 15 anos. No entanto, a decisão do médico de receitar um anticoncepcional a uma pessoa menor de idade agora encontra respaldo em uma série de normas criadas pela Sociedade de Pediatria em parceria com a Sociedade de Ginecologia a partir do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo o texto, “a prescrição de métodos anticoncepcionais a adolescente menor de 14 anos não constitui ato ilícito por parte do médico” desde que a solicitação venha da adolescente e “respeitando-se os critérios médicos de elegibilidade”.

Decisão do médico

Tendo em vista o bem-estar da paciente, a Dra. Isabel acredita que a decisão do médico deva se respaldar principalmente no risco da gravidez indesejada. Esse tipo de gestação tem se tornado um problema até mesmo em países desenvolvidos, pois existe uma probabilidade maior de se engravidar nos seis meses após a iniciação sexual. “Inclusive porque as meninas começam a ter relações justamente no período mais fértil. No entanto, há um mito muito grande de que, ao prescrever um anticoncepcional para adolescentes, o médico estará dando um passaporte para que a paciente inicie sua atividade sexual. Entretanto, os trabalhos demonstram que elas vão iniciar a atividade sexual com ou sem orientação”, acredita a ginecologista.

Outro fator que deve pesar na escolha do médico é o fato de que os adolescentes, além do risco da gravidez indesejada, estão ainda sujeitos aos riscos relacionados à sexualidade como doenças sexualmente transmissíveis e AIDS. “Por este motivo, devemos orientar o uso dos preservativos associados a outros métodos contraceptivos”, complementa.

Uma vez feita a opção pela prescrição de métodos contraceptivos, deve-se atentar para aqueles que apresentarão menores efeitos colaterais às pacientes. “Entre os anticoncepcionais hormonais, há várias vias de administração. Cada um deles tem suas vantagens e desvantagens e devem ser avaliados caso a caso”, cita a médica. Dentre eles, ela destaca as pílulas e o anticoncepcional injetável como os mais indicados para as adolescentes. “Mas apesar da facilidade de administração, o método injetável, por ocasionar alterações menstruais, gerando insegurança na paciente, pode levar ao abandono do método”, avalia a especialista.

Por essas razões, a Dra. Isabel acredita que, no caso específico da adolescente, a associação mais utilizada é a do anticoncepcional oral e o preservativo. “A pílula anticoncepcional é o meio de mais fácil manipulação tanto para a paciente quanto para o médico”, avalia, segundo sua experiência clínica. Além disso, as contra-indicações previstas para os contraceptivos hormonais – como cardiopatias, trombose ou neoplasias – não são comuns nessa faixa etária. “É claro que, em pacientes com patologias associadas como hipertensão ou diabéticas, a indicação deve ser ponderada”, diz.

Baixa dosagem

Com a gama cada vez maior de produtos anticoncepcionais no mercado, hoje é possível encontrar medicamentos mais adequados e menos agressivos às adolescentes. Entre eles, segundo a Dra. Isabel, as pílulas com baixa dosagem hormonal são as mais indicadas. “Com as microdosagens das chamadas pílulas light e ultralight, muitos dos efeitos colaterais não existem mais”, avalia. Para ela, a escolha do anticoncepcional ideal deve levar em conta a sintomatologia da paciente.

Por outro lado, o uso das pílulas com microdosagens pode levar ao que se chama de escape, ou seja, sangramentos entre as menstruações. Isso deve ser explicado à paciente tão logo o medicamento seja prescrito. “Esses episódios geralmente ocorrem nos três primeiros meses de uso, mas devemos esclarecer que isso nada tem a ver com a eficácia do método, que é igual aos demais”, frisa.

Entre as novas substâncias, a médica ressalta as pílulas feitas com drospirenona – uma dos últimos progestogênios lançados – e as que levam etinilestradiol e gestodeno. “Outra vantagem dessas novas pílulas é que foram diminuídas as dosagens, aumentando o número de dias. Desse modo, em vez de a paciente usar durante 21 dias, ela usa durante 24 dias e toma mais quatro dias de placebo durante o intervalo. Assim, termina-se uma cartela e começa-se outra na sequência, fazendo com que a adolescente crie um hábito e não se esqueça de tomar o medicamento”, avalia a ginecologista.

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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