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As Terapias Integrativas no processo do envelhecimento

Saúde o estado de completo bem estar físico, mental e social

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O processo do envelhecimento

O contingente de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos tem aumentado de forma significativa e, a saúde dessa população é um dos grandes desafios do mundo contemporâneo. O aumento da expectativa de vida e a diminuição da natalidade tiveram como consequência o aumento de pessoas cada vez mais longevas, um desvio bem sucedido que está impondo uma nova normalidade: “ser velho”. Estudos gerontológicos mostram a importância de conhecer o processo de envelhecimento em suas múltiplas dimensões. Em relação à dimensão biológica muito pode ser feito para prevenir e postergar o envelhecimento patológico (senilidade).

O processo de envelhecimento caracteriza-se pela diminuição gradual da reserva funcional do organismo, fenômeno que compromete sua capacidade de adaptação a modificações internas ou externas. O organismo torna-se mais vulnerável a sobrecargas funcionais. Essa diminuição de reserva funcional varia de indivíduo para indivíduo e de órgão para órgão, conforme os aspectos genéticos e históricos de vida, de cada um. A composição corporal altera-se ao longo do tempo: Ocorre redução da massa muscular e do teor da água corporal total do organismo e o aumento da proporção de gordura. Também ocorrem alterações em outros órgãos e sistemas.

A dor é uma das queixas mais comuns em pessoas idosas. A dor crônica pode comprometer a qualidade de vida e cursar com depressão, fadiga, diminuição de socialização, anorexia, anormalidades do sono e da marcha, prejudicar a deambulação e gerar polifarmacoterapia.

O processo de envelhecimento começa desde quando nascemos, ampliar o tempo de autonomia e capacidade funcional, reduzir dores, melhorar a saúde física e mental, e a qualidade de vida, são propostas oferecidas pelas Terapias Integrativas.

Terapias Integrativas 

As Terapias Integrativas compreendem um grupo de práticas de atenção à saúde. A Política Nacional de Práticas Integrativas pretende desenvolver abordagens à saúde que busquem estimular a promoção, prevenção e recuperação da saúde utilizando métodos naturais, pautados na escuta, no acolhimento e no desenvolvimento de vínculos terapêuticos, de modo a auxiliar no entendimento do conceito ampliado de saúde e no autocuidado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde como sendo o estado de completo bem-estar físico, mental e social. Ou seja, o conceito de saúde transcende à ausência de doenças e afecções.

São terapias que acolhem de forma holística e integrativa, escutam o indivíduo e suas demandas ampliando o olhar deste para as suas relações pessoais e familiares, sociais e econômicas, comunitárias e ambientais. Todas estas condições, internas e externas, afetam o indivíduo estimulando positiva ou negativamente a sua qualidade de vida, o seu bem-estar.

As terapias integrativas, no conhecimento ampliado do indivíduo, permitem a expressão e o protagonismo do indivíduo, também o reconhecimento de suas potências e vulnerabilidades.

O objetivo das técnicas consiste na prevenção de doenças. Qualquer desarmonia contínua pode promover desequilíbrios e gerar patologias. Escutar o indivíduo de forma plena e integrada, conhecer sua natureza individual, hábitos, rotina, permite criar uma proposta terapêutica individualizada e mais efetiva para além do alívio dos sintomas inicialmente trazidos, para o reconhecimento das causas dos desequilíbrios. As diferentes técnicas terapêuticas visam estimular o organismo para que ele siga a sua própria tendência natural de voltar ao equilíbrio, preservar a saúde.

Dificuldades e demandas se apresentam de modo a construir, conjuntamente, soluções e alternativas para as necessidades e problemas enfrentados, estimulando também práticas associativas e interdisciplinares.

Nas políticas públicas….

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) serão beneficiados com 10 novas Práticas Integrativas e Complementares (PICS). Os tratamentos utilizam recursos terapêuticos, baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para prevenir diversas doenças.Com as novas atividades, ao todo, o SUS passa a ofertar 29 procedimentos à população.

A inclusão foi anunciada durante a abertura do 1º Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Saúde Pública (INTERCONGREPICS).

Em 2006, quando foi criada a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) eram ofertados apenas cinco procedimentos. Após 10 anos, em 2017, foram incorporadas 14 atividades, chegando as 19 práticas disponíveis atualmente à população: ayurveda, homeopatia, medicina tradicional chinesa, medicina antroposófica, plantas medicinais/fitoterapia, arteterapia, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa, termalismo social/crenoterapia e yoga.

As terapias estão presentes em 9.350 estabelecimentos em 3.173 municípios, sendo que 88% são oferecidas na Atenção Básica. Em 2017, foram registrados 1,4 milhão de atendimentos individuais em práticas integrativas e complementares. Somando as atividades coletivas, a estimativa é que cerca de 5 milhões de pessoas por ano participem dessas práticas no SUS.

Atualmente, a acupuntura é a mais difundida com 707 mil atendimentos e 277 mil consultas individuais. Em segundo lugar, estão as práticas de Medicina Tradicional Chinesa com 151 mil sessões, como taichi-chuan e liangong. Em seguida aparece a auriculoterapia com 142 mil procedimentos. Também foram registradas 35 mil sessões de yoga, 23 mil de dança circular/biodança e 23 mil de terapia comunitária, entre outras.

Evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares. Além disso, há crescente número de profissionais capacitados e habilitados e maior valorização dos conhecimentos tradicionais de onde se originam grande parte dessas práticas. No ano passado foram capacitados mais de 30 mil profissionais.

Fonte:
http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/42737-ministerio-da-saude-inclui-10-novas-praticas-integrativas-no-sus

Simone Spadafora

Biomédica especialista em análises clínicas e acupuntura, mestre em Gerontologia pela PUC/SP. Atualmente Diretora vice-presidente e coordenadora técnica na Associação São Joaquim de apoio à maturidade e Terapeuta Integrativa no Instituto Adhara. Professora de pós graduação em Acupuntura pela Casa da Terra Cursos e Educação Continuada.

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