Saúde

Osteoporose

Considerações sobre o cálcio

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Considerações sobre o cálcio

Pela Dra. Pérola Grinberg Plapler, médica fisiatra, diretora da Divisão de Medicina Física do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC FMUSP e médica do Hospital do Coração (HCor)

Osteoporose é uma doença osteometabólica, caracterizada por fragilidade óssea decorrente do desequilíbrio entre a formação e a reabsorção óssea. Com o envelhecimento, observa-se perda gradual de massa óssea, mesmo que o paciente tenha dieta rica em cálcio.

Quanto menor a reserva de cálcio nos ossos, que é desenvolvida ao longo da vida, maiores as chances de apresentarmos osteopenia e osteoporose. A perda dessa massa óssea pode ter várias razões, incluindo fatores genéticos, inatividade física, uso de corticosteróides e quantidade de hormônio circulante – estrogênio na mulher e testosterona no homem.1

As mulheres na pós-menopausa contribuem com 80% de todos os casos de osteoporose, devido à queda dos níveis de estrógeno nesta fase da sua vida. Os homens tendem a desenvolver a osteoporose entre 5 e 10 anos mais tarde que as mulheres, visto que os níveis de testosterona caem mais lentamente, permitindo que a perda óssea ocorra mais tarde neste sexo.

A prevenção da osteoporose deve se iniciar ainda na infância e adolescência, permitindo a formação de ossos fortes e densos, e assim minimizando as perdas que podem começar a ocorrer na idade adulta. Para evitar essa patologia, recomenda-se a realização de exercícios de carga e de fortalecimento, regularmente; aporte adequado de vitamina D através da exposição ao sol, dieta ou medicação; consumo de cálcio adequado, com o objetivo de evitar que o mesmo seja retirado dos ossos; e consumo de alimentos ricos em vitamina K.

Quantidades adequadas de cálcio e vitamina D são necessárias para manter a integridade dos ossos ao longo da vida. O cálcio é crítico na prevenção da osteoporose, por ser capaz de diminuir o turnover ósseo e desacelerar a perda óssea.2 Quando o cálcio é combinado com cristais de hidroxiapatita, promove rigidez mecânica nos dentes e ossos.

O equilíbrio do cálcio é determinado pela ingesta, absorção, perdas insensíveis tais como suor e respiração e pela excreção urinária. Todos esses fatores variam muito entre os indivíduos. A porção de cálcio absorvida através dos alimentos gira em torno de um terço do ingerido e menores taxas de absorção podem aumentar o risco de fraturas.3

Quando a mulher atinge a menopausa, faz-se necessária a suplementação de cálcio, pois ocorre um desequilíbrio entre reabsorção/formação óssea decorrente do declínio da produção ovariana do estrógeno.4 Com o envelhecimento ocorre uma diminuição de até 50% na absorção intestinal do cálcio encontrado nos alimentos, quando comparado com indivíduos na adolescência.

A vitamina D aumenta a absorção do cálcio no trato gastrintestinal e afeta a reabsorção óssea.5 O cálcio é capaz também de potencializar o efeito dos exercícios sobre a massa óssea nas mulheres na pós-menopausa.6

O cálcio é um mineral que o corpo necessita para um grande número de funções, incluindo a formação e manutenção dos ossos e dentes, coagulação do sangue, transmissão de impulsos nervosos e regulação do ritmo cardíaco. Noventa e nove por cento do cálcio no corpo humano está armazenado nos ossos e dentes, enquanto que o 1% restante encontra-se no sangue e em outros tecidos.7

O corpo adquire o cálcio de que necessita de duas maneiras. A primeira é através da dieta. Os alimentos que contêm cálcio absorvível em maior quantidade são o leite e seus derivados, seguidos de folhas verdes e feijões. A outra maneira de adquirirmos o cálcio é retirando-o dos ossos. Isso ocorre quando o nível de cálcio no sangue fica muito baixo, em geral após passarmos algum tempo com dieta inadequada, pobre em cálcio.7

Os suplementos de cálcio são largamente utilizados para o tratamento da osteoporose. Mais recentemente, tem sido muito discutida a importância do cálcio em todas as fases da vida. Após atingir o pico de massa óssea, observa-se perda gradual desse mineral, evoluindo progressivamente para osteopenia ou osteoporose, e conseqüente fragilidade óssea. Sendo assim, é importante ressaltar a utilização de suplementos como o carbonato de cálcio, que é a fonte de cálcio mais eficiente conhecida.

O cálcio é mais bem absorvido com alimento e, por isso, recomenda-se que seja ingerido às refeições. O carbonato de cálcio é um antiácido e pode provocar um rebote ácido quando ingerido com o estômago vazio.8

Diversos hábitos alimentares como a ingestão de refrigerantes, café, álcool, chocolate e o hábito do tabagismo, entre outros, interferem na formação da massa óssea. Por esse motivo, defende-se a suplementação de cálcio em todas as fases da vida, uma vez que esses hábitos da vida diária influenciam negativamente na manutenção de ossos fortes.

Quando não se consegue através da alimentação atingir o mínimo de cálcio diário recomendado, devemos fazer uso dos suplementos de cálcio.8

Estudos que avaliam o cálcio sugerem que a quantidade diária ingerida deve ser no mínimo igual à quantidade que é excretada.

A vitamina D é fundamental para a absorção do cálcio, sendo importante para a manutenção da massa óssea.8 Quando os níveis séricos de cálcio começam a cair, ocorre a conversão da vitamina D para sua forma ativa. Com isso, há maior absorção de cálcio no intestino e menor perda de cálcio pela urina. Para a saúde óssea, a vitamina D é tão importante quanto o cálcio. Ela é encontrada em alguns alimentos em pequena quantidade, e é formada pela exposição da pele ao sol. No entanto, dependendo do grau de latitude, da idade do paciente e do uso de filtro solar, não ocorre formação adequada de vitamina D.

É provável que o cálcio ingerido próximo ao horário de dormir consiga interromper a perda óssea que acontece à noite. Portanto, recomenda-se que uma das porções de cálcio seja tomada no final do dia.8

É importante ressaltar que o cálcio não deve ser tomado no período da manhã, nos dias em que os pacientes fazem uso dos bisfosfonatos. O uso concomitante dessas duas substâncias pode reduzir a absorção dos anti-reabsortivos. Medicamentos para tireóide também podem ser inibidos pela presença do cálcio, portanto recomenda-se que os medicamentos para tireóide sejam tomados no período da manhã e o cálcio à tarde e à noite.

A intolerância à lactose é muito comum em indivíduos idosos (em 60% da população idosa). Nesses indivíduos, a ingesta de leite e derivados pode provocar cólicas, gases e diarréia. Os sintomas podem variar de moderados a severos. Alguns grupos parecem ter mais sintomas que outros. Noventa por cento dos asiáticos, 70% dos negros e americanos nativos, 50% dos hispânicos e apenas 15% dos descendentes de europeus têm intolerância. O iogurte é bem tolerado e bem absorvido por esses indivíduos.

Uma alternativa para os que gostam de leite e seus derivados é fazer uso de comprimidos contendo lactase. Quando a ingesta do cálcio não é suprida na dieta, recomenda-se sua suplementação.

Apenas com grande ingestão de proteínas ou cafeína ocorre o aumento estatisticamente significante da excreção de cálcio urinário. A absorção intestinal, no entanto, não diminui na presença dessas substâncias. Acredita-se que a ingesta acentuada de proteína possa provocar uma acidose que é parcialmente tamponada pelos ossos, através do aumento da reabsorção óssea e da hipercalciúria.

Em trabalho publicado por Kerstetter , foram testados dois grupos de mulheres que ingeriam 1g/kg (consumo moderado) ou 2,1g/kg (consumo alto) de proteína. Treze mulheres saudáveis receberam de forma randomizada as duas dosagens. Tanto a absorção de cálcio intestinal quanto a excreção de cálcio pela urina aumentaram nas mulheres quando da ingesta de maior quantidade de proteína. Houve uma redução significativa na fração de cálcio urinário de origem óssea, mas não houve redução significativa do turnover ósseo. Apesar do número pequeno de pacientes estudados, essa maior quantidade de proteínas não mostrou ter grande influência no metabolismo do osso.

A vitamina K, que é encontrada principalmente em vegetais e folhas verdes, também influencia a regulação de cálcio e a formação óssea. Baixa ingesta desses alimentos e de vitamina K foi associada com baixa densidade mineral óssea em mulheres, mas não em homens.

Referências:

  1. Report of the Surgeon General’s Workshop on Osteoporosis and BoneHealth. In: Washington (DC): http://www.surgeongeneral.gov/topics/bonehealth/. 2002.
  2. Kanis JA. The use of calcium in the management of osteoporosis. Bone 1999;24:279-90.
  3. Ensrud KE, Duong T, Cauley JA. Low fractional calcium absorption increases the risk for hip fracture in women with low calcium intake. Ann Intern Med.2000;132:345-353.
  4. Heaney RP, Dawson-Hughes B, Gallagher JC. The role of calcium in peri- and postmenopausal women: consensus opinion of the North American Menopause Society. Menopause 2001;8:84-95.
  5. Akesson K, Lau KW, Bayling DJ. Rationale for active vitamin D analog therapy in senile osteoporosis. Calcif Tissue Int. 1997;60:100-5.
  6. Specker BL. Evidence for an interaction between calcium intake and physical activity on changes in bone mineral density. J Bone Miner Res. 1996;11:1539-44.
  7. Calcium and Milk. In: Harvard School of Public Health; 2005.
  8. Osteoporosis and Bone Physiology. In: http://courses.washington.edu/bonephys/ophome.html; 2004.
  9. Feskanich D, Willett WC, Stampfer MJ, Colditz GA. Milk, dietary calcium, and bone fractures in women: a 12-year prospective study. Am J Public Health 1997;87:992-7.
  10. Kerstetter JE, Kimberly O, D C, E WD, L IK. The Impact of Dietary Protein on Calcium Absorption and Kinetic Measures of Bone Turnover in Women. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism 2004;90(1):26-31.
  11. Weber P. Vitamin K and bone health. Nutrition 2001;17:880-7.
  12. Booth SL, Broe KE, Gagnon DR. Vitamin K intake and bone mineral density in women and men. Am J Clin Nutr. 2003;77:512-6.

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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