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Disfunção erétil no diabetes

Rigidez da ereção e satisfação sexual na disfunção erétil

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Rigidez da ereção e satisfação sexual na disfunção erétil

Causas variadas e um problema comum a uma população que chega a 48% dos homens (entre 40 e 70 anos): a disfunção erétil. Por definição, ela consiste na incapacidade ou dificuldade de obter e/ou manter a ereção peniana de forma suficiente para que o ato sexual seja completado  satisfatoriamente. “Se a dificuldade for só de obter ou só de manter ou se forem as duas, já é válido esse o conceito”, complementa o Dr. Celso Gromatzky, doutor em urologia pela Universidade de São Paulo (USP), chefe do Setor de Medicina Sexual da Clínica Urológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e responsável pelo Setor de Urologia do Projeto Sexualidade (Prosex) do Departamento de Psiquiatria do HC-FMUSP.

Principal obstáculo para que um relacionamento sexual seja satisfatório, a disfunção erétil é uma doença autodescritiva e subjetiva. “Existem meios para se diagnosticar, mas é o paciente que avalia se a ereção não está satisfatória, ou seja, o próprio homem vai relatar que está com disfunção erétil”, diz o Dr. Eduardo Bertero, urologista, fellow pela Universidade de Boston, EUA, com mestrado em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; médico do Departamento de Urologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. De acordo com o médico, o problema deve persistir por pelo menos seis meses para caracterizar o quadro. “É esse o período aceito pelas sociedades mundiais e utilizado em estudos clínicos”, diz o Dr. Bertero.

Causas

Didaticamente, a etiologia da doença é dividida em três grupos: o das causas psicológicas, o das causas orgânicas, e um terceiro grupo que pode ser chamado de causas mistas, que seriam uma mistura de causas orgânicas e psicológicas. Tanto o Dr. Gromatzky quanto o Dr. Bertero concordam que a maior parte dos pacientes está inserida no terceiro grupo. “O paciente tem um problema físico e acaba tendo também um problema psicológico. Nenhum homem que tem um problema de ereção vai ficar tranquilo”, diz o Dr. Bertero.

Dentre as causas orgânicas, os problemas de ereção podem ser ocasionados por doenças cardiovasculares, neurológicas e hormonais. “Há também um grupo que chamamos de disfunção erétil por drogas e um outro que é causado por fatores anatômicos penianos”, explica o Dr. Gromatzky.

Dentro dos exemplos orgânicos, o mais importante como causa da disfunção erétil é o diabetes. “Ele é uma das grandes causas orgânicas da disfunção erétil e, do ponto de vista dessa classificação, o diabetes engloba tanto problemas vasculares quanto neurológicos”, diz o Dr. Gromatzky.

“Acho que o diabetes seria o primeiro da lista. É a pior doença para a ereção, sem dúvida nenhuma”, acredita o Dr. Bertero.

A lista de possíveis causas para as dificuldades de ereção do paciente é enorme, mas é possível destacar como principais: a hipertensão arterial, a dislipidemia, a obesidade, o tabagismo, o sedentarismo, o alcoolismo. Esses seriam os principais fatores de risco, segundo os dois especialistas. Além do alcoolismo e do diabetes, outros tipos de doenças podem trazer danos neurológicos que se refletem na ereção. “Vale a pena citar as doenças medulares e do sistema nervoso central. Também a disfunção erétil secundária às cirurgias da região pélvica, como as utilizadas no tratamento do câncer de próstata e do câncer de reto”, completa o Dr. Gromatzky. Acidentes e lesões na região da bacia também podem gerar disfunção erétil decorrente de danos vasculares no local.

Fora as causas citadas, alguns problemas anatômicos do órgão são responsáveis por problemas de ereção. O principal deles seria a chamada doença de Peyronie. “Ela leva à formação de placas no corpo cavernoso e isso acaba encurvando o pênis. Isso pode produzir dificuldades de ereção”, explica o Dr. Bertero.

Para casos mais graves, pode ser indicada cirurgia corretiva ou até a colocação de próteses. A queda na produção hormonal, principalmente a partir dos 50 anos, também pode ser a causa da disfunção. “A testosterona afeta o desejo sexual e tem função também na ereção, por isso, a solicitação de dosagem sanguínea faz parte da investigação diagnóstica”, recomenda o Dr. Bertero.

Também alguns medicamentos tais como os que atuam no sistema nervoso central como os ansiolíticos e os antidepressivos, alguns anti-hipertensivos, diuréticos e drogas que atuam bloqueando os hormônios androgênicos podem causar o problema.

Excluídas todas as possibilidades orgânicas e medicamentosas, o médico pode concluir que se trata de um problema de fundo psicológico. “Se a pessoa entra no consultório com problemas de ereção e não tem nenhum problema físico: não tem diabetes, não fuma, não usa drogas, então, partiremos do princípio de que, provavelmente essa dificuldade de ereção tenha causas psicológicas”, diz o Dr. Bertero.

O urologista lembra também que, atualmente, a depressão é considerada um fator de risco para a disfunção erétil. “Uma pessoa com depressão tem grandes chances de ficar com disfunção erétil. E se for tratada a depressão, ela tem chances de melhorar a ereção. Há estudos mostrando isso”, complementa.

Diagnóstico

De acordo com o Dr. Gromatzky, trabalhos estimam que algo como metade dos homens entre 40 e 70 tem algum grau de disfunção erétil. “Se pegarmos populações mais amplas em idade, se não limitarmos entre 40 e 70, há algo entre 13 e 30%”, cita. Para se ter uma noção mais ampla, o Dr. Bertero exemplifica com um levantamento realizado pela Dra. Carmita Abdo, professora de Psiquiatria e coordenadora geral do Prosex: “Essa estatística diz que cerca de 48% dos homens no Brasil têm algum problema de ereção”, observa. “Esses dados são bem gerais. Se formos selecionar homens acima dos 60 anos, o problema é muito mais frequente, assim como abaixo de 30, é mais raro. De qualquer forma, é uma doença bastante prevalente”, avalia o Dr. Bertero.

Apesar de a estatística do Prosex ser bem abrangente, uma falha eventual não é considerada disfunção erétil. “Para se caracterizar a doença, o paciente precisa apresentar essa falha de forma recorrente”, diz o Dr. Gromatzky.

Ambos os especialistas concordam que o diagnóstico do problema é principalmente clínico, baseado na anamnese do paciente e não depende tanto de exames complementares. “Hoje, diferentemente de 10 anos atrás, não pedimos e não realizamos exames invasivos no paciente. O mais importante é um longo bate-papo. Temos que pesquisar os hábitos sexuais, a vida conjugal, a frequência sexual, entre outros assuntos”, diz o Dr. Bertero.

A partir desse diagnóstico preliminar, é interessante que seja iniciada a chamada investigação múltipla, que vai permitir o diagnóstico de doenças relacionadas e que não podem ser ignoradas. “Por exemplo, o médico pode tratar o problema de disfunção erétil do paciente sem um diagnóstico diferencial de causa, mas ele pode, com isso, deixar de fazer outros diagnósticos que podem ser importantes a ponto de o indivíduo correr risco de vida. O médico pode estar ultrapassando um conflito maior e tratando só a ponta final do problema. Então, não é aconselhável o tratamento sem que a causa seja investigada”, aconselha o Dr. Gromatsky. Para chegar a esse diagnóstico completo, geralmente é solicitado exame de sangue para se pesquisar diabetes, glicemia e alterações no colesterol.

Uma ferramenta importante utilizada para diferenciar uma causa física de uma psicológica é a presença de ereção noturna. “Algumas vezes, nós usamos um aparelho chamado ‘RigiScan’ para detectar. Se há presença de ereção noturna, passamos a pensar em causas psicológicas. Há também casos de auto-erotismo, quando o paciente só consegue ter ereção com ele mesmo. Esse paciente deve ser tratado com um psicólogo ou um psicoterapeuta”, observa o Dr. Bertero.

 Tratamento e satisfação sexual

Os dois urologistas apontam que, do ponto de vista medicamentoso, as drogas de primeira escolha são os inibidores da fosfodiesterase tipo 5. “Temos disponíveis três produtos: a sildenafila, a tadalafila e a vardenafila”, descreve o Dr. Gromatzky. O urologista explica que as três têm o mesmo mecanismo de ação. “O neurotransmissor periférico mais importante no processo de ereção é o óxido nítrico. Ele atinge as células musculares lisas do corpo cavernoso e leva à ativação do GMP cíclico dentro da célula. Ativado, esse GMP cíclico vai promover um relaxamento da musculatura lisa do corpo cavernoso e, com isso, há a ocorrência da ereção peniana”, descreve.

“Esse GMP, por sua vez, é destruído por uma enzima chamada fosfodiesterase tipo 5, que promove a contração do músculo. Esses medicamentos inibem a ação da fosfodiesterase, permitindo que o GMP cíclico atinja níveis mais altos e mais duradouros dentro da célula”, complementa.

A utilização dessa classe de drogas vem sendo estudada desde a década de 80, quando a sildenafila começou a ser utilizada. De lá para cá, tem se procurado demonstrar os efeitos positivos na satisfação sexual dos pacientes. “Intuitivamente, imaginamos que quanto melhor a ereção, melhor a satisfação do paciente no ato sexual. Então, um pesquisador chamado Dr. Levinson apresentou um estudo científico comprovando matematicamente essa correlação intuitiva. Ele correlacionou o grau, a qualidade da ereção com a satisfação sexual do paciente e obteve uma curva que matematicamente comprovou que quanto melhor a ereção, melhor a satisfação sexual”, citou o Dr. Gromatzky. Segundo o urologista o estudo foi feito com o uso da sildenafila e foi apresentado ano passado em um congresso europeu.

Uma melhora significativa na qualidade da relação sexual também foi apontada pelas parceiras de homens que fazem uso desse tipo de medicamento. “Através de questionários entregues às parceiras, observou-se que também as mulheres com problemas sexuais como frigidez, dificuldade em atingir o orgasmo e falta de lubrificação vaginal também relataram melhora na satisfação sexual depois que seus parceiros começaram a utilizar a sildenafila”, diz o Dr. Bertero, referindo-se à pesquisa feita pelo médico italiano Montorsi e publicada na revista Urology em 2004.

Para pacientes que não respondem a esses tipos de medicamentos, uma opção, de acordo com o Dr. Bertero, seria a injeção intracavernosa. “Ela funciona em alguns casos selecionados. Mas é um método mais invasivo, mais complicado de usar”, opina o urologista. Segundo o Dr. Bertero, esse método é recomendado para pacientes com disfunção erétil grave, que não respondem aos comprimidos. “Quando é diabético muito grave ou quando fez cirurgia de próstata. Para esses indivíduos, pode valer a pena tentar essa opção”, diz. A terceira linha de tratamento, para os problemas mais graves, seria a colocação da prótese peniana.

Contra-indicações e efeitos colaterais

De acordo com os dois especialistas, os efeitos adversos dos inibidores de fosfodiesterase são comuns à família desses medicamentos. “Podemos dizer que são drogas extremamente seguras. Hoje, por exemplo, em relação à sildenafila, já temos sete anos de experiência e sabemos que, basicamente, os efeitos adversos são decorrentes da própria ação da droga em outros setores do organismo”, diz o Dr. Gromatzky.

Como efeitos adversos mais comuns, os dois urologistas elegem a cefaléia, o rubor facial e a congestão nasal. “Os dois primeiros são consequência da vasodilatação nas áreas correspondentes”, ressalta o Dr. Gromatzky, acrescentando que a incidência de cefaléia gira ao redor de 15% e que alguns poucos pacientes têm necessidade de usar analgésico. “Nenhum dos sintomas é intolerável. São, de modo geral, leves e transitórios. Duram de duas a três horas e costumam melhorar com o uso do medicamento”, completa o Dr. Bertero.

Como única contra-indicação importante, os urologistas citaram o propalado uso concomitante de nitrato. “O nitrato já tende a baixar a pressão arterial e, se o paciente tomar inibidores de fosfodiesterase, haverá uma potencialização dessa hipotensão ao ponto de poder causar óbito. É uma contra-indicação absoluta”, justifica o Dr. Gromatzky.

“É importante ressaltar que a contra-indicação é só para quem usa nitrato, pois há muitos profissionais que ainda têm receio de prescrever a sildenafila para quem é hipertenso ou tem cardiopatias”, acrescenta o Dr. Bertero.

Álcool e alimentos

A interação dos inibidores de fosfodiesterase com álcool e alimentos foi assunto um tanto polêmico na época em que os primeiros medicamentos dessa família foram lançados. Hoje em dia, no entanto, os médicos revisaram a conduta e acreditam que a cautela adotada era excessiva. “Com o passar dos anos, observou-se que essa limitação é muito relativa. O uso de álcool em doses leves, socialmente aceitáveis, não interfere significativamente com a segurança de nenhuma dessas drogas”, diz o Dr. Gromatzky.

O Dr. Bertero compartilha de sua opinião. “No começo se falou muito sobre o assunto,  mas hoje, por exemplo, não tenho colocado nenhuma restrição na prescrição médica com respeito ao álcool ou aos alimentos. Doses socialmente aceitas não potencializam nem diminuem o efeito do medicamento”, diz.

De acordo com o Dr. Gromatzky, a concomitância de alimentação leva a uma pequena diminuição no pico de ação e retarda o início de ação do medicamento. “Mas isso não ocorre a ponto de se contra-indicar o uso concomitante com alimentos”, especifica.

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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