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Ser Velho

O que é a velhice para você? Já parou pra pensar nela? Já buscou esse lugar dentro de você? Sim, o mundo envelhece a passos largos e essa é uma questão urgente!

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Processo de envelhecimento

O contingente de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos tem aumentado de forma significativa e, a saúde dessa população é um dos grandes desafios do mundo contemporâneo. Estudos gerontológicos mostram a importância de conhecer e aceitar o processo de envelhecimento em suas múltiplas dimensões.

O aumento da expectativa de vida e a diminuição da natalidade tiveram como consequência o aumento de pessoas cada vez mais longevas, um desvio bem sucedido que está impondo uma nova normalidade: “ser velho”. Entretanto, essa população ainda não transita livremente pelos circuitos vivos da sociedade.

Falar da velhice por meio de perspectivas externas, dados estatísticos, sem dar voz e rosto às pessoas idosas, tem contribuído para a patologização e para a negação do processo de envelhecimento. A escuta de pessoas idosas, e seus desejos, pode iluminar os caminhos da longevidade ao contar sobre experiências nesta fase da vida.

A criação de uma identidade homogênea para a população 60+ contribui para a perda do “rosto”. Identidades podem trazer a sensação de pertencimento, mas também podem estigmatizar, gerar problemas, aprisionar. A identidade de velho, aprisionada no modelo biológico de saúde e perfeição, em oposição à identidade do jovem, exclui a velhice em toda a diversidade e complexidade que a compõe. A visão restrita se impõe sobre o sujeito a partir do enfoque de corpos fisicamente enfraquecidos, disfuncionais e frágeis, perda da autonomia e capacidade funcional, desumaniza a pessoa idosa.

A pessoa idosa é totalidade e não fragmento, a velhice é individual e tem “rosto”. É preciso escutar a velhice de forma ampla, incluindo os ganhos e descobertas de potências e possibilidades.

Negação da velhice

A identidade estereotipada de velho tem levado a negação da velhice por parte das pessoas idosas, sinais corporais do envelhecimento tendem a ser “escondidos” para fugir da identificação de ser velho.

Ampliar o olhar e a escuta para além das condições biológicas pode contribuir para a “despatologização” da velhice. A velhice não pode ser sinônimo de deficiência. Alterações orgânicas nessa fase da vida estarão presentes, mas a pessoa idosa não é um ser patológico. Melhorar as condições sociais para a inclusão da pluralidade humana significa acolher e incluir a diversidade, permitir o sujeito em todas as fases da sua vida. Alterações biopsicossociais fazem parte da vida e podem acontecer em qualquer fase dela. A velhice, como qualquer outra etapa do ciclo vital, desafia a pessoa em direção ao crescimento, ao desenvolvimento e a participação.

Muitos idosos são excluídos de uma parte importante da vida social, em uma proporção muito maior do que aquela que seria atribuída às suas eventuais limitações e, portanto, experimentam não só a deficiência, como a discriminação baseada em preconceitos relativos às suas capacidades corporais.

Tal opressão e discriminação sofridas pelas pessoas idosas, em função de uma sociedade que se organiza de uma maneira que não permite inclui-las na vida cotidiana, desajustada para incorporar a diversidade, levam à experiência da exclusão.

Ambientes hostis podem fazer com que lesões visíveis, acumulações de limitações leves na funcionalidade corporal, como diminuições da acuidade visual e auditiva, entre outras, tornem-se causas de grandes deficiências entre os idosos, aumentando a probabilidade dos riscos de quedas, restringindo lugares, isolando.

Idade do conhecimento

Pessoas idosas podem enriquecer enormemente a sociedade, desde que possam se comunicar.

Situações pessoais, socioambientais, culturais, são diferentemente vividas nas várias sociedades e mesmo dentro de cada uma, refletindo de formas distintas em cada corpo biológico.

Convido vocês a trilharmos juntos um percurso de escuta e conhecimento ativo da população 60+, descobertas de suas potências e desejos, e também a identificação e reconhecimento de suas demandas, para que pessoas idosas possam participar de forma protagonista na implantação de políticas públicas que dizem respeito a todos nós sujeitos envelhecentes.

 

Simone Spadafora

Biomédica especialista em análises clínicas e acupuntura, mestre em Gerontologia pela PUC/SP. Atualmente Diretora vice-presidente e coordenadora técnica na Associação São Joaquim de apoio à maturidade e Terapeuta Integrativa no Instituto Adhara. Professora de pós graduação em Acupuntura pela Casa da Terra Cursos e Educação Continuada.

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