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Acne, o temor de todo jovem

O problema da acne aflige majoritariamente a população adolescente, mas também pode se estender até a idade adulta e, em todas essas fases, essa disfunção que ocorre nos folículos sebáceos pode trazer consequências sérias para a auto-estima do paciente, caso não seja tratada adequadamente.

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Acne

A doença – que ocorre em mais de metade dos adolescentes – classifica-se em graus mais leves e mais severos e tem como causa principal a herança genética.

“O primeiro fator desencadeante da acne é o genético. Uma pessoa já tem uma predisposição a desenvolver acne diferentemente de outras que não tem”, explica o Dr. Jayme de Oliveira Filho ,especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) desde janeiro de 1979,  mestrado e doutorado em dermatologia,  e professor titular de Dermatologia da Universidade de Santo Amaro (Unisa).

Por esse motivo, o especialista costuma alertar as pessoas que já têm essa influência genética a iniciarem o tratamento logo nas primeiras manifestações, mesmo que sejam discretas. “Costumo dizer que a acne é como uma escadinha. É muito melhor começar a tratar quando se está nos dois primeiros degraus do que quando já se está no vigésimo”, adverte.

Também por estar relacionada fortemente à individualidade genética de cada pessoa, a acne manifesta-se de maneira muito diferente em termos de gravidade e duração. “A tendência de ter acne é muito variável de pessoa para pessoa. Há pessoas que têm propensão a ter acne por um ano. Outras mantêm essa tendência por 10, 15 anos. O fato de ter essa predisposição não quer dizer necessariamente que elas venham a ter acne, mas precisam estar sempre sob controle”, observa o dermatologista.

Ainda segundo ele, o homem inicia a acne mais tarde que a mulher. “Enquanto ela começa aos 12, 13 anos, o pico dos homens é aos 14, 15 anos. Mas não existe preferência por sexo, tanto homens quanto mulheres são afetados igualmente”, diz o Dr. Oliveira Filho.

Enquanto o surgimento da chamada acne vulgar – que tem sua ocorrência marcada na adolescência – está diretamente ligado aos hormônios da puberdade, a doença na idade adulta pode ter causas variadas. “A acne da mulher adulta, por exemplo, tem muito a ver com algumas doenças como cisto ovariano, problemas hormonais relacionados à hipófise ou à supra-renal”, relaciona o médico. “Por esse motivo, quando a paciente é adulta, pedimos exames para afastar algumas dessas doenças.”

Nos homens, a acne adulta já não tem relação com os hormônios. “Ela é menos frequente do que nas mulheres e normalmente está associada a uma má conduta ou manipulação inadequada. Essa negligência pode levar a uma perpetuação do quadro”, analisa o médico.

Além disso, o Dr. Oliveira Filho lembra que alguns medicamentos podem causar o problema. “O complexo B pode induzir a lesões de acne, que chamamos de iatrogênicas. Assim como xaropes de iodo, tranquilizantes, remédios que induzem ao sono, cortisona, entre outros. Há também pessoas com imunodeficiência que ficam mais sujeitas à acne”, enumera.

Diagnóstico

De forma didática, a acne é classificada em quatro diferentes graus. “A mais simples, formada pelos comedões, chamamos de comedoniana. Depois, quando há pústula, chamamos de acne papulopustulosa. No grau três está a acne cística. Já quando os cistos se confluem, inflamam, infectam deixando uma aparência disforme, classificamos como acne conglobata, que é o nível quatro”, explica o dermatologista.

“Há ainda outro nível mais alto em termos de gravidade que é a acne fulminans. Ela ocorre em indivíduos com uma imunodeficiência muito severa, mas é uma condição muito peculiar e rara”, acrescenta o Dr. Oliveira Filho.

Para realizar o diagnóstico, o médico descreve que é necessário analisar o perfil completo do paciente. “Precisamos saber seus antecedentes, se está tomando algum medicamento, se não está utilizando alguma droga inadequada”, diz.

Para os indivíduos mais velhos, que já passaram da puberdade – deixando de configurar o perfil da acne vulgar –, também podem ser necessários exames complementares. “Precisamos detectar se a acne está relacionada a problemas hormonais”, acredita.

Outros aspectos importantes do paciente com acne são as implicações emocionais. Tratando-se a acne, esses problemas tendem a melhorar, por outro lado, a presença desses fatores psicológicos pode piorar o quadro de acne. “Em nossa prática médica, sabemos que quando o paciente está com problemas de ansiedade e tensão, certamente, estará mais vulnerável a ter uma acne que se perpetue. Então quem tem problemas emocionais pode ter um fator de agravo para a acne, porque o sujeito se trata pior, tem uma auto-estima baixa, é pessimista, acha que vai piorar mais. É importante que ele tenha um apoio psicológico para que o tratamento seja efetivo”, analisa o dermatologista.

Tratamento

De acordo com o Dr. Oliveira Filho há tratamentos eficazes que minimizam o sofrimento psicológico que as pessoas com acne costumam ter. “Já podemos até falar de cura, principalmente se o tratamento for precoce”, diz. Por se tratar de uma doença das glândulas sebáceas, o tratamento deve agir na diminuição da quantidade de secreção dessa glândula e também eliminar a população bacteriana que existe na pele.

“Hoje uma solução muito adotada é a isotretinoína, um derivado da vitamina A. Costumamos prescrever para serem ministradas durante seis meses. Esse medicamento diminui muito a turgidez produzida pela glândula sebácea. Diminuindo a secreção, diminuímos a chance de ela obstruir, infeccionar e vir a formar a acne”, descreve o especialista.

Segundo o Dr. Oliveira Filho, depois dos seis meses de tratamento, o resultado geralmente atinge níveis satisfatórios. “Calcula-se que apenas de 11 a 12% das pessoas têm de repetir o tratamento”, ressalva o médico. No entanto, o tratamento com a isotretinoína é indicado apenas para graus mais severos de acne. “Também temos que verificar se a pessoa tem função hepática normal. Além disso, ela não pode engravidar no período do tratamento e até um mês depois. Essas são as maiores restrições”, diz. Como principais efeitos colaterais, o dermatologista lembra que o medicamento deixa a mucosa da boca e a pele mais secas. “A pessoa tem que evitar se expor ao sol e também não é indicado fazer exercícios intensos”, elenca.

Para graus menos severos de acne, o tratamento pode se basear em antibióticos ministrados via oral e fórmulas para uso tópico. “Geralmente, são utilizados derivados do ácido retinóico, quando não o próprio ácido retinóico e o peróxido de benzoíla, que é um produto que tem ação antibacteriana e ainda é esfoliante, tira manchas e tira a oleosidade. Além de sabonetes antissépticos”, descreve.

As cicatrizes e manchas decorrentes da acne são tratadas principalmente com peelings. “Em casos mais extremos, pode ser indicado procedimento cirúrgico. Mas isso é válido apenas para cicatrizes retráteis. No entanto, o resultado não é a contento, a cicatriz não some, apenas melhora. O ideal é não chegar nesse ponto”, diz.

Para tratar a acne da mulher adulta, o tratamento complementar com anticoncepcionais também pode ser uma escolha importante. “A associação de contraceptivos orais de baixa dosagem com anti-hormônio masculino é interessante para as mulheres que nitidamente pioram na época pré-menstrual ou que têm um pouco mais de hormônio masculino”, observa.

 

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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