Saúde

Dor muscular

Dor muscular - é comum a presença de sobrecarga de estresse psíquico, o que agrava a tensão muscular.

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Pelo doutor e pesquisador João Matheus Guimarães, Diretor do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Instituto Nacional de Ortopedia e Traumatologia do Ministério da Saúde e mestre em Traumatologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

O principal grupo de indivíduos afetados por dores de origem mecânica é composto por jovens que praticam esportes regularmente. Em segundo lugar, estão aqueles sem preparo físico e que praticam atividades físicas sem regularidade, sem controle e sem orientação, o que causa sobrecarga muscular e pode desencadear problemas ortopédicos até então adormecidos.

De modo geral, as dores são mais propensas a surgir em indivíduos que não realizam alongamento antes e depois da atividade física e que estão sujeitos a posições viciosas em seu cotidiano. Também é comum a presença de sobrecarga de estresse psíquico, o que agrava a tensão muscular. Os indivíduos expostos a essas condições têm probabilidade maior de apresentar dores na musculatura paravertebral das regiões cervical (cervicalgia), dorsal (dorsalgia) e lombar (lombalgia), que podem ocorrer em conjunto.

A musculatura paravertebral é a responsável pela estabilidade necessária para a locomoção ereta. Nesse sentido, ela é auxiliada pela musculatura abdominal. À medida que há falta de atividade física regular ou flacidez abdominal, ocorre uma sobrecarga da musculatura paravertebral posterior, tendo como principal resultado a lombalgia. Além disso, os graus normais de cifose e lordose se acentuam, aumentando o estresse da musculatura paravertebral. A partir desse ponto, o paciente começa a sofrer de dor crônica, que representa 60% das dores relacionadas à coluna. Os outros 40% têm origem em problemas neurológicos, como a hérnia de disco.

A dor muscular é resultado de um processo inflamatório na fibra muscular, que pode durar de duas a três semanas, causado por uma agressão mecânica ou crônica. As células da fibra celular agredida liberam substâncias vasoativas, e as células de defesa tentam coibir o aumento da lesão, levando ao desencadeamento da cascata inflamatória.

Além da dor, o paciente pode sofrer, localmente, de contratura muscular. Na coluna como um todo, pode haver o desenvolvimento de escoliose antálgica, uma vez que o músculo contraturado, em uma atitude de defesa da região afetada, acaba por determinar uma inclinação da coluna vertebral se inclinar. Nesse quadro, devemos estar atentos para complicações como o desenvolvimento de hérnia de disco.

Outro sinal freqüente em situações de músculo contraturado é a limitação de funções, locais ou gerais. Especialmente nos quadros de contratura lombar, a pessoa torna-se incapaz de se locomover normalmente, apresentando rigidez neste segmento.

O diagnóstico das dores musculares é realizado por meio de exame ortopédico e clínico, para avaliar a mobilidade e os sinais de comprometimento neurológico, e por exames complementares como raio X e tomografia computadorizada. Caso haja suspeita de hérnia de disco, realizamos uma ressonância magnética.

A profilaxia baseia-se na realização de atividade física regular, com prática de alongamento muscular antes e após o exercício, aliada a uma alimentação balanceada. Essa estratégia reduz a flacidez abdominal e, conseqüentemente, a sobrecarga sobre a musculatura paravertebral. Porém muitos pacientes reclamam de dores nas costas quando tentam praticar exercícios para esse fim.

Para que a atividade física seja realmente eficaz como uma terapia contra as dores, e não haja o risco de se provocarem lesões ao invés de evitá-las, em primeiro lugar, deve haver uma avaliação ortopédica, em que o médico irá verificar se não há outros problemas. Em seguida, o paciente deve requisitar a orientação de um professor de educação física, que indicará um trabalho gradual, uma vez que é comum que o indivíduo tente entrar em boa forma física em um período de tempo muito reduzido, acabando por gerar mais dor. Os exercícios indicados também devem poupar de esforço a região lombar.

Antes de iniciar todo esse treinamento, quem padece de dores musculares deve passar por tratamento, que irá reduzi-las ou as extinguir. Há várias técnicas não-medicamentosas para minimizar a ação inflamatória local, as quais diferem de acordo com a gravidade e a intensidade das lesões, e que podem ser associadas ao tratamento medicamentoso. Entre elas, estão a fisioterapia, prática de ioga, ultra-som, ondas curtas e a exposição ao gelo ou calor. A escolha de uma delas deve ficar a cargo do paciente. Após passada a crise, pode ser realizada a reeducação postural global (RPG), que permite, a longo prazo, uma melhor convivência com a coluna vertebral.

Entre as estratégias medicamentosas, são utilizados analgésicos, como o ácido acetilsalicílico e a dipirona; antiinflamatórios não-hormonais, como os inibidores da cox-2, que exercem ação local e têm a vantagem de agredir pouco a mucosa gástrica; e relaxantes musculares. Antiinflamatórios hormonais, como os corticóides, são mais indicados para os casos de compressão neurológica, e não para as lesões musculares.

Em relação aos relaxantes musculares, há a opção dos benzodiazepínicos, especialmente para pessoas muito tensas. Essa classe exerce uma ação central, sendo uma ferramenta importante para o tratamento de pacientes com intensa rigidez muscular ou em casos de hérnia de disco. O indivíduo sob tratamento com benzodiazepínicos, no entanto, deve ser colocado em repouso absoluto, em razão do sono causado pelo medicamento. A ciclobenzaprina, diferentemente, apresenta a vantagem de causar menos sonolência, embora alguns pacientes possam ter uma sensibilidade maior em relação a esse efeito. É uma opção interessante em termos de relaxante muscular que utilizamos freqüentemente.

Costumamos indicar ciclobenzaprina, principalmente, para as dores crônicas agudizadas. Em casos de estiramento menor, ela pode ser usada até mesmo isoladamente. Já em quadros com lesões mais graves, no entanto, pode ser administrada em associação a um antiinflamatório.

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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