Saúde

Asma doença urbana, ligada basicamente ao aumento dos fatores alérgicos

A asma é a principal causa de internações, principalmente entre crianças

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Por ser resultado de um processo inflamatório de origem alérgica, a asma requer um tratamento eficiente, o que pode ser obtido através do uso de medicamentos que combinam um corticóide e um broncodilatador de longa duração, administrados preferencialmente por via inalatória.

Apesar de ser uma doença frequente, que acomete aproximadamente 20% da população brasileira, ou seja, entre 30 e 35 milhões de pessoas, atualmente os especialistas consideram que o cenário da asma no País é relativamente estável. De acordo com o Dr. Rafael Stelmach, pneumologista do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo e  ex presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), muitos portadores de asma ainda não foram diagnosticados, até por apresentarem quadros leves da doença.

“A rede pública de saúde, que atende a grande maioria dos pacientes, não está preparada nem para o diagnóstico, nem para o tratamento da asma. Desde o ano passado há uma tentativa de melhorar essa situação, mas as medidas efetivas ainda não foram implementadas integralmente. Nas grandes cidades existem serviços com melhor organização para a abordagem da asma, mas fora desses centros não”, declara o médico.

Segundo ele, as estimativas internacionais em relação à incidência da asma são similares aos índices nacionais. “As estatísticas levantadas nas grandes cidades brasileiras são bem próximas às apresentadas pelos países de Primeiro Mundo. Isso nos mostra que a asma é uma doença urbana, ligada basicamente ao aumento dos fatores alérgicos”, acrescenta.

O especialista comenta que os sintomas da asma (falta de ar, chiado no peito, tosse seca e por vezes catarro) são recorrentes, o que torna seu diagnóstico fácil. “O problema é que às vezes o diagnóstico é minimizado e essa sintomatologia é tratada como bronquite. A bronquite é uma inflamação do brônquio. A asma é um tipo de bronquite, mas é de fundo alérgico e nasce com seu portador. O paciente pode não morrer de asma, mas certamente morrerá com a asma”, explica o Dr. Stelmach.

Além disso, o médico diz que o diagnóstico dessa patologia é mais comum na idade pré-escolar. Entretanto, os casos também são detectados na idade adulta. “Provavelmente nessa situação o paciente foi uma criança pouco sintomática que não recebeu diagnóstico.”

Em relação à intensidade da asma, o especialista diz que a maioria dos pacientes tem quadros leves. Cerca de 30% dos portadores que vivem nas grandes cidades apresentam asma moderada, com sintomas frequentes e deixam de fazer o tratamento adequado ou simplesmente não tratam a doença. E aproximadamente 5% dos asmáticos têm quadros severos.

Tratamento moderno

De acordo com o Dr. Stelmach, como a asma é uma doença inflamatória, a base de seu tratamento é a utilização de antiinflamatórios. “Nos casos de asma moderada a grave usamos preferencialmente os corticóides inalados, ou seja, as bombinhas, porque esses ainda são os medicamentos mais eficazes. Porém, paralelamente aos corticóides, podemos lançar mão dos broncodilatadores, que já foram o tratamento de escolha no passado, mas que não devem mais ser utilizados isoladamente, já que não resolvem a inflamação.”

O pneumologista afirma que os pacientes que utilizam apenas os broncodilatadores, em xarope ou inalados, estão mal tratados. “Os portadores de asma precisam dos broncodilatadores, pois essa medicação alivia o fechamento dos brônquios, embora não o trate, pois o fechamento dos brônquios é secundário a uma inflamação. O ideal, na maior parte dos casos, é a utilização da associação de um corticóide e um broncodilatador de longa duração. O medicamento que traz essa combinação em um mesmo veículo vem sendo nossa medicação de escolha, especialmente nos casos moderados e graves”.

O especialista ressalta ainda que as associações medicamentosas para o tratamento da asma devem ser usadas preferencialmente por via inalatória. “Pela via oral, a medicação tem que passar pelo estômago, pelo fígado e pelo sangue para chegar ao pulmão, o que gera a necessidade de administração de doses maiores. Já pela via inalatória, o medicamento age onde é necessário, reduzindo significativamente a dosagem das drogas.”

Nesse sentido, o médico lembra que a via inalatória é a que apresenta menos ocorrência de efeitos colaterais. “Existem alguns efeitos locais, mas sistêmicos são poucos. Mesmo assim, quanto menos melhor. Sabemos que os portadores de asma precisam de corticóides e de broncodilatadores, mas é importante que a dosagem das medicações seja adequada à gravidade ou intensidade da doença.”

Na opinião do pneumologista, a associação corticóide/broncodilatador de longa duração em um mesmo veículo, por via inalatória, pode ser considerada a melhor alternativa para o tratamento da asma persistente. “Essa medicação é bastante eficaz e mostra uma resposta sinérgica, que amplia o mecanismo de ação.”

Embora o arsenal medicamentoso tenha armas eficazes para o manejo da asma, especialmente as associações para inalação, o Dr. Stelmach acredita que a abordagem da doença ainda está longe do ideal.

O governo federal incluiu no Farmácia popular três medicamentos gratuitos para asma oferecidos pelo Farmácia Popular são: sulfato de salbutamol, diproprionato de beclometasona e brometo de ipratrópio que podem ser encontrados em diferentes apresentações, cerca de dez. Por isso, quem toma remédio de asma pode adquiri-lo gratuitamente na farmácia popular e nas drogarias conveniadas. Para retirar o medicamento, deve-se apresentar o documento de identidade, CPF e a receita médica dentro do prazo de validade (que é até 30 dias da data da emissão). A receita deve ter sido emitida por um profissional do SUS, mas por um médico que atenda tanto na rede pública como privada.

“Ainda falta muito para atingirmos a distribuição mínima de recursos terapêuticos para a população brasileira. Muitos pacientes sofrem a vida toda com a asma e têm pior qualidade de vida”, conclui o médico.

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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